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Bloomberg View: Quatro formas de enxergar a economia

Narayana Kocherlakota

(Bloomberg) -- Vejo quatro escolas de pensamento sobre como deve ser a gestão das economias dos EUA e da maior parte do mundo desenvolvido. O desafio para o Federal Reserve e outros bancos centrais é saber quem está certo.

Vou chamar o primeiro grupo de economistas de neutralistas. Eles afirmam que, contanto que a inflação esteja baixa e estável, as decisões dos bancos centrais podem ter apenas efeito modesto e breve sobre variáveis como geração de empregos e crescimento econômico. Na visão deles, a mídia dá atenção demais à política monetária, levando autoridades a ignorar questões mais importantes, como, por exemplo, o aumento da produtividade.

No segundo grupo, os inflacionistas entendem que a demanda por trabalhadores já começou a pressionar os salários para cima, iniciando uma espiral inflacionária difícil de controlar. Como as variações nas taxas de juros demoram para se filtrar pela economia, eles temem que o Fed já esteja atrás da curva.

Aí tem a turma da bolhistas. Como os neutralistas, eles são céticos em relação à eficácia da política monetária. Muitos até diriam que a inflação está sendo determinada principalmente por forças tecnológicas e demográficas além do alcance dos bancos centrais. Para eles, juros baixos fazem com que os preços de ações e títulos se encontrem em patamares insustentavelmente elevados e incentivam uma quantia perigosa de empréstimos, armando o palco de um desastre econômico e financeiro.

O quarto grupo é o pessoal do hiato. Para os hiatistas, a atividade econômica ainda está muito abaixo de um nível capaz de gerar inflação excessiva, embora os bancos centrais mantenham os juros em patamares baixíssimos na tentativa de incentivar a atividade. No sentido de sustentar seus argumentos, eles ressaltam que a inflação permanece abaixo da meta dos bancos centrais e que as expectativas de inflação de longo prazo continuam baixas. Alguns exponentes do hiato acreditam que os bancos centrais devem buscar novas fórmulas de estímulo, como taxas de juros negativas ou financiamento direto dos gastos públicos. Eles também diriam que, se os bancos centrais não podem ou não querem liberar os estímulos necessários, as autoridades fiscais deveriam fazer isso - o que irrita inflacionistas e muitos neutralistas, que consideram o Estado já maior do que deveria.

Quem está certo? Diante das evidências, não acho possível descartar nenhuma dessas linhas de pensamento como obviamente falsa. Isso significa que as autoridades precisam agir sob a hipótese de que todas podem estar corretas.

Os neutralistas têm razão de que é preciso avaliar formas de melhorar o potencial de crescimento econômico no longo prazo. Por exemplo, poderíamos aprimorar o capital humano com uma abordagem diferente para a educação infantil ou o financiamento do ensino superior.

A inflação pode estar iminente. Porém, a meu ver, o Fed não deveria priorizar a preocupação dos inflacionistas e limitar o crescimento agora. Em vez disso, o banco central americano deveria ser claro quanto à intenção de elevar os juros de forma acentuada quando o núcleo da inflação (métrica que exclui preços de alimentos e energia, que são mais voláteis) ultrapassar de forma sustentável a meta de 2 por cento.

Se os bolhistas estiverem certos em relação a preços dos ativos artificialmente inflados, isso não necessariamente significa que o estouro dos preços prejudicaria seriamente a economia. É verdade que isso ocorreu durante a crise financeira de 2007-2009, mas em parte porque as autoridades monetárias e fiscais não fizeram o bastante para estimular a economia global rapidamente. As autoridades devem se preparar para fazer melhor na próxima vez.

Os hiatistas estão comprovadamente corretos quando afirmam que inflação e expectativas de inflação estão baixas demais no mundo desenvolvido. Nesta frente, há muito o que as autoridades fiscais e monetárias podem fazer. Estímulos adicionais -- pelo menos alguns -- ajudariam a impulsionar o que continua sendo uma expansão econômica profundamente decepcionante.

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