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'Brexit' é improvável para investidores em dívida corporativa

Selcuk Gokoluk

(Bloomberg) -- O mercado de títulos corporativos está sinalizando que os investidores acreditam que os eleitores do Reino Unido vão rejeitar a opção de sair da União Europeia.

A crescente confiança em que o país evitará a Brexit, e a incerteza econômica resultante, significa que os investidores estão aceitando prêmios mais estreitos para manter dívida denominada em libras em vez de euros.

O mercado de novas emissões também se reanimou, e empresas como Next e Travelodge Hotels venderam 2,5 bilhões de libras (US$ 3,6 bilhões) em títulos nas últimas três semanas, segundo dados compilados pela Bloomberg. O total se compara com 1,5 bilhão de libras nas cinco semanas anteriores.

"O mercado não está tão preocupado com a Brexit quanto antes", disse Paola Binns, gerente de carteira da Royal London Asset Management, que administra cerca de 84 bilhões de libras. "A demanda por alguns nomes do Reino Unido está se recuperando".

As tendências do mercado de títulos refletem os movimentos cambiais. A libra se valorizou em relação ao dólar e ao euro durante as últimas duas semanas com a ajuda de pesquisas de opinião pública que sugerem que a campanha pela permanência na UE tem a liderança.

As casas de apostas reduziram as probabilidades para a vitória do status quo no referendo do dia 23 de junho depois que o FMI, o Banco da Inglaterra e o presidente dos EUA, Barack Obama, afirmaram que abandonar o maior bloco de mercado comum do mundo seria prejudicial para o Reino Unido.

"Os diferenciais dos títulos corporativos basicamente apontam para que a Brexit não vai acontecer", disse Andreas Michalitsianos, gerente da carteira global de renda fixa do JPMorgan Asset Management, que administra US$ 1,7 trilhão, incluindo dívida em libra.

As medidas de volatilidade da libra sugerem que os investidores não consideram que a vitória da permanência seja um fato consumado. Um indicador que prevê as oscilações de preços em um período de um mês atingiu o valor mais alto desde fevereiro na segunda-feira, quando abrangeu pela primeira vez a data do referendo.

Oscilações benéficas

Michael Bloomberg, fundador e dono majoritário da Bloomberg LP, companhia controladora da Bloomberg News, apoiou publicamente a campanha para que o Reino Unido permaneça na UE.

A casa de apostas William Hill reduziu as probabilidades para a vitória da permanência, e agora prevê 85 por cento de chances. Uma pesquisa publicada pela Opinium no dia 21 de maio mostrou que a permanência tem 44% de chance, e a saída, 40%. A pesquisa foi realizada pela internet, gerando resultados melhores para a saída.

Qualquer oscilação na confiança do mercado à medida que o referendo se aproxima poderia beneficiar os investidores em títulos, porque as empresas que estão vendendo dívidas novas em libras terão que oferecer prêmios mais amplos para conseguir fechar negócios, disse Rhys Petheram, gerente de fundo da Jupiter Fund Management, que tem 36,2 bilhões de libras em ativos sob gestão.

"Os mercados provavelmente ficarão cada vez mais tensos à medida que nos aproximarmos", disse ele. "É aí que você poderia conseguir algumas oportunidades".

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