Na China, 57% dos emissores AAA têm risco alto de calote

Bloomberg News

(Bloomberg) -- Você comprou título em yuans com a maior nota na China? Analise bem. Ele pode ter características em comum com notas de grau especulativo no restante do mundo.

Cerca de 57 por cento dos emissores de papéis registrados em bolsas da China cujos valores têm nota AAA no país poderiam apresentar um risco de calote consistente com o que o modelo quantitativo e independente de risco de calote da Bloomberg considera uma empresa abaixo do grau de investimento.

O modelo acompanha métricas como o desempenho das ações, passivos e fluxo de caixa. Ele não considera garantias nem faz suposições sobre suporte do governo, regulamentações ou lucros futuros.

"Não confiamos nas notas das agências locais de classificação de risco quando tomamos decisões sobre investimentos", disse Edmund Goh, gerente de investimentos da Aberdeen Asset Management em Kuala Lumpur.

"Aplicamos nossas próprias notas internas com base em nossas próprias pesquisas de crédito. Temos muito cuidado até mesmo com os papéis com nota AAA no mercado onshore da China".

Investidores estão exigindo notas de crédito mais precisas depois que pelo menos dez empresas deram calote até agora neste ano, número que já supera o total de 2015.

A Dagong Global Credit Rating não rebaixou sua nota de crédito AA+, a segunda mais alta, para a China Railway Materials até três dias depois de a empresa ter suspendido o trading de seus 16,8 bilhões de yuans (US$ 2,6 bilhões) em notas no dia 11 de abril para estudar problemas de pagamento de dívidas. Os títulos com nota AA- ou mais baixa são considerados de grau especulativo no mercado onshore da China.

Avaliação

A Associação Nacional de Investidores Institucionais do Mercado Financeiro avaliará as agências de classificação de riscos com base nos comentários de participantes do mercado, informou o 21st Century Business Herald no dia 16 de maio.

Os dados do modelo de riscos da Bloomberg se baseiam nas notas de crédito oferecidas pela Dagong, pela China Chengxin International Credit Rating, pela Shanghai Brilliance Credit Rating & Investors Service e pela China Lianhe Credit Rating. Dagong, Chengxin e Lianhe preferiram não comentar sobre os riscos dos papéis com nota AAA.

A Angang Steel e a incorporadora imobiliária Gemdale estão entre os emissores com nota AAA que, segundo o modelo de risco de calote da Bloomberg, têm traços característicos de rendimentos altos.

A Angang Steel, que tem nota AAA da Chengxin, informou um prejuízo de 615 milhões de yuans no primeiro trimestre, em comparação com um lucro líquido de 19 milhões de yuan um ano atrás. A siderúrgica estatal cancelou uma venda de títulos de 3 bilhões de yuans neste mês por causa da demanda fraca. Dois telefonemas ao conselho da Angang na segunda-feira não foram atendidos.

A Moody's Investors Service rebaixou a nota de crédito da Gemdale de Ba1 para Ba2 no dia 27 de abril. A agência projetou um enfraquecimento das métricas de crédito nos próximos 12 a 18 meses. No mercado onshore, a Lianhe lhe dá nota AAA. A Gemdale não respondeu a pedidos de comentários enviados por e-mail.

"Muitas notas de crédito de papéis locais estão infladas", disse Qiu Xinhong, gestor de recursos da First State Cinda Fund Management em Shenzhen. "A qualidade creditícia de algumas companhias estatais é ruim, mas elas podem receber notas de crédito altas mesmo assim".

--Com a colaboração de Xize Kang 

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