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Reserva de ouro da Venezuela encolhe 16% com crise econômica

Ranjeetha Pakiam

(Bloomberg) -- A Venezuela reduziu suas reservas de ouro em 16% no primeiro trimestre, segundo dados do Fundo Monetário Internacional, em um momento em que a crise econômica se aprofunda e o governo enfrenta o temor de que possa ter dificuldades para honrar pagamentos de títulos.

As reservas, que somavam 8,77 milhões de onças no final de 2015, permaneceram inalteradas em janeiro, caíram para 7,67 milhões de onças em fevereiro e diminuíram ainda mais em março, para 7,4 milhões de onças, segundo dados publicados no site do FMI. A queda deste ano veio após um declínio de 24,4% em 2015.

A Venezuela entrou em turbulência com o colapso dos preços do petróleo e o presidente Nicolás Maduro enfrenta uma crescente tensão política em meio à inflação galopante, à contração econômica e à escassez de alguns produtos básicos.

O vice-presidente da área econômica, Miguel Pérez Abad, disse neste mês que a Venezuela continuará usando as reservas internacionais para ajudar a cumprir seus compromissos e também continuará reduzindo importações.

Enquanto as reservas de ouro da Venezuela caíam no primeiro trimestre, os preços subiam 16% e registravam o melhor trimestre em três décadas. O ouro à vista era negociado a US$ 1.224,48 a onça às 15h39 em Cingapura na quarta-feira. Em maio, o Conselho Mundial do Ouro disse que as reservas de ouro da Venezuela respondem por 66% do total de reservas.

Pagamentos de dívidas

As autoridades têm repetido que o país honrará suas obrigações financeiras plenamente e sem atraso.

Em fevereiro, o ministro de Comércio Exterior, Jesús Faría, disse que todos os pagamentos de dívidas deste ano estavam garantidos, incluindo os de curto prazo e os de outubro e novembro. No mesmo mês, o presidente do banco central, Nelson Merentes, disse que o país continuará realizando pagamentos de dívidas.

A possibilidade de que o país possa ser tentado a vender parte de suas reservas em ouro para levantar fundos foi sinalizada em agosto pelo Citigroup, que listou a Venezuela como uma possível vendedora em meio ao temor de que o país pudesse entrar em calote.

O país pode estar sob risco de vender parte de suas reservas após a queda do petróleo, escreveram analistas, incluindo David B. Wilson, em um relatório.

O produto interno bruto da Venezuela encolherá 8 por cento neste ano após uma contração de 5,7% em 2015, segundo o FMI, que projeta que a inflação poderá subir para quase 500%. Com a redução das importações deste ano, o país terá dinheiro suficiente para honrar seus pagamentos de títulos em 2016, segundo a Eurasia Group e a EMSO Asset Management.

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