Saída de capital estrangeiro da Índia não assusta investidores

Kartik Goyal

(Bloomberg) -- A Western Asset Management e a HSBC Holdings dizem que a sequência mais prolongada em três anos de fluxos de saída de capital estrangeiro não deveria ser considerada como um sinal de diminuição do apetite pelos títulos indianos.

As duas empresas são otimistas em relação à dívida denominada em rúpias. O HSBC diz que as retiradas, resultado de uma queda forte mais ampla nos mercados emergentes, não se sustentarão por causa da busca global por rendimentos em meio a taxas de juros quase zeradas nos países desenvolvidos.

As notas soberanas de referência com vencimento em dez anos da Índia pagam 7,46%, a taxa mais alta entre os principais mercados asiáticos depois da Indonésia. O número se compara com 1,85 por cento para os títulos do Tesouro dos EUA e com um rendimento negativo no Japão.

"Os investidores estão com sede de rendimentos, e a Índia continua sendo um ponto favorável no universo dos papéis de mercados emergentes", disse Desmond Soon, diretor de gestão de investimentos para a Ásia, excetuando-se o Japão, em Cingapura, da Western Asset, que administra cerca de US$ 450 bilhões. "Estamos overweight em títulos indianos".

As posições em ativos estrangeiros de dívida do governo e das corporações indianas diminuíram em 67 bilhões de rúpias (US$ 1 bilhão) nos nove dias até 26 de maio, a sequência mais prolongada de quedas desde julho de 2013, antes de acrescentarem 12,2 bilhões de rúpias na sexta-feira, mostra a National Securities Depository.

O montante perdeu 52,3 bilhões de rúpias em maio após aumentar durante dois meses, porque a ata da reunião do Federal Reserve de abril sinalizou que a maioria das autoridades achava que seria adequado elevar as taxas de juros em junho se a economia americana continuasse melhorando.

Expansão

A Índia ostenta a taxa de crescimento mais acelerada entre as principais economias do mundo, com uma expansão de 7,6% nos doze meses até março de 2016, e tem conseguido domar a inflação, melhorar as finanças públicas e reduzir a volatilidade cambial.

Os economistas projetam que a taxa de recompra referência, que já está no valor mais baixo em cinco anos, será reduzida mais uma vez neste ano, em meio às projeções de chuvas de monção superiores às normais pela primeira vez desde 2013.

Um indicador da volatilidade implícita da rúpia em um mês caiu de 9,74% em agosto de 2015 para 6,17 por cento, porque o presidente do Banco da Reserva da Índia, Raghuram Rajan, incrementou as reservas de moeda estrangeira para recordes históricos.

"Os rendimentos altos e a estabilidade da rúpia tornam os títulos indianos atraentes para os investidores", disse Soon, da Western Asset. "E, independentemente das rotações que observamos nos fluxos de saída de papéis, isso pode ser apenas um desvio rápido. A Índia está se saindo muito bem se analisamos os parâmetros econômicos fundamentais".

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