Análise: Analistas de ações da China são sempre otimismas

Christopher Langner e Andy Mukherjee

(Bloomberg) -- A China é uma compra absolutamente recomendável. Ou, mais especificamente: nove em cada dez vezes que um analista avalia uma ação na República Popular, ele faz uma recomendação de compra. O problema? Se você tivesse seguido os conselhos deles nos últimos doze meses, você teria perdido dinheiro.

Pelo menos uma corretora, a Emperor Capital Group, chegou ao ponto de recomendar a compra de todas as ações que avaliou. Esse é apenas um exemplo extremo de um problema mais geral.

Ao contrário do que acontece em mercados maduros como a Bolsa de Nova York, ou até mesmo em outros menos desenvolvidos como a Bovespa, os analistas de ações em Xangai e Shenzhen se entusiasmam demais.

Tanto é que parece haver uma grande desconexão entre suas recomendações e os problemas do mundo real com os quais os economistas vivem obcecados, como a repentina desaceleração do crescimento e a crescente dívida corporativa da China.

O otimismo permeia todos os tipos de ativos. As agências de classificação de risco da China colocam 92% das milhares de empresas que avaliam em um dos quatro grupos de mais elevada credibilidade.

No mundo dos títulos, porém, um aumento da inadimplência provocou rebaixamentos muito rápidos de AA+ para CCC. Apesar disso, os analistas de ações parecem não se importar muito mesmo se erram espetacularmente, e continuam fazendo a mesma coisa.

Os analistas da China se queixam com frequência de que seus colegas ocidentais não entendem a realidade no país, que poderia não ser tão ruim como a mídia retrata. Mas recomendar compra em nove de cada dez casos, não tem muito sentido. Tem alguma coisa errada, seja qual for o mercado ou o ambiente econômico.

O problema se torna mais premente porque o MSCI, que administra um dos índices referenciais para mercado acionário mais monitoradas do mundo, irá decidir no mês que vem se incorporará as ações negociadas na China ao seu indicador de mercados emergentes. Mudanças regulatórias recentes aumentaram as probabilidades de inclusão para 70%, diz o Goldman Sachs.

Isso significa que mais pessoas no mundo inteiro terão que pelo menos considerar opiniões dos analistas do país, isso se não tiverem que confiar nelas. Se o único truque do repertório é recomendar a compra, vai ser um programa entediante para os investidores, além de muito pouco lucrativo.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e de seus donos.

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