Disparada nas emissões quase soberanas preocupa analistas

Tracy Alloway

(Bloomberg) -- Qual classe de ativos de renda fixa cresce rapidamente, tem desempenho superior ao de emissões similares e raramente sofre calote?

São os títulos "quase soberanos" de mercados emergentes, é claro!

Somando aproximadamente US$ 600 bilhões, dívidas vendidas por empresas com apoio de governos como o da China e de Omã ultrapassaram a quantia em circulação de dívidas governamentais de mercados emergentes, de acordo com relatório divulgado pelo Bank of America Merrill Lynch.

A emissão de dívidas quase soberanas ajudou a embalar o impressionante crescimento do mercado geral de títulos. As emissões de emergentes foram responsáveis por 47% do crescimento da dívida global entre 2007 e 2014, comparado a 22% nos sete anos anteriores, segundo a S&P Global Ratings.

Mas a disparada nos títulos "quase" deixa alguns quase aflitos.

"Os quase soberanos são efetivamente uma 'obrigação contingente' para um país", escreveram os analistas do BofAML, liderados por Kay Hope.

Eles notam que a emissão de papéis quase soberanos agora representa metade do mercado de títulos corporativos denominados em euros e dólares de países emergentes, que movimenta de US$ 1,6 trilhão a US$ 1,8 trilhão, o que pode intensificar a pressão sobre os cofres públicos dessas nações.

A China, com suas velhas empresas estatais, é responsável por um quarto desse tipo de dívida, embora o governo chinês em si praticamente não tenha emitido títulos denominados em moeda estrangeira. Já a quantia em dívidas quase soberanas do Brasil quase quadruplicou, de acordo com o BofAML. No caso do México, o montante emitido por estatais praticamente dobrou.

Boa parte desse crescimento foi puxado por empresas de energia e commodities. Gigantes como Petróleos Mexicanos, Petrobras, China National Offshore Oil e Gazprom fizeram captações nos últimos anos.

A presença de apoio estatal de diversas formas ajudou a "suavizar" o caminho para captações por companhias altamente alavancadas de países emergentes.

O outro lado da moeda é que muitas empresas com títulos "quase soberanos" sofreram durante a última rodada de queda de preços das commodities e seus lucros desabaram. Calotes nos títulos "quase soberanos" são raros, mas acontecem, especialmente quando as contas públicas estão muito esticadas.

O apoio governamental pode facilitar captações por empresas com fundamentos ruins, mas uma mudança nas circunstâncias pode causar alargamento dos spreads, escreveram os analistas do BofAML. "Uma alavancagem de 10 vezes [os lucros] faz você tremer nas bases se o emissor é quase soberano? Deveria? e alguns quase soberanos têm isso."

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