Uber recebe US$ 3,5 bi de fundo de investimento saudita

Eric Newcomer e Glen Carey

(Bloomberg) -- O fundo soberano de investimento da Arábia Saudita fez sua transação mais proeminente ao investir US$ 3,5 bilhões na empresa americana de compartilhamento de transporte Uber Technologies. O país busca diversificar seus ativos com mais aquisições no exterior.

Yasir Alrumayyan, diretor administrativo do Fundo de Investimento Público saudita, terá uma cadeira no conselho da empresa com sede em São Francisco depois da transação, que concede à Uber a avaliação de US$ 62,5 bilhões, disse a empresa em um comunicado. Esse é o maior investimento já feito na Uber e está em conformidade com a avaliação anterior da empresa.

A maior concorrente internacional da Uber, a empresa chinesa de solicitação de motoristas Didi, está trabalhando para fechar uma rodada de financiamento de mais de US$ 3,5 bilhões, de acordo com comentários feitos na quarta-feira pela presidente da empresa, Jean Liu, na Califórnia.

A Didi disse no mês passado que captaria US$ 1 bilhão da Apple e que a Alibaba Group Holding e sua filial de finanças investiram outros US$ 400 milhões. A indiana Ola também está investindo agressivamente na expansão.

A aliança incomum entre o fundo saudita e uma das principais startups do Vale do Silício atende às necessidades de ambos. A Uber, que não tem pressa para abrir o capital, obtém uma injeção de dinheiro sem precedentes para financiar uma cara expansão mundial frente a uma série de concorrentes bem financiadas.

A Arábia Saudita, que tem um fundo de investimento com cerca de US$ 200 bilhões em ativos, avança com a estratégia de expansão no exterior depois de mais de quatro décadas com foco em investimentos domésticos.

O fundo pretende aumentar sua parcela de ativos estrangeiros para cerca de metade do total até 2020, em contraste com os 5% atuais, e Alrumayyan está liderando uma campanha para recrutar executivos do setor bancário de todo o mundo, de acordo com pessoas a par do assunto.

Revolução do transporte

Fundada em 2009, a Uber conquistou investidores com a promessa de revolucionar o transporte. Além de abalar o setor dos táxis, a empresa vem fazendo pesquisas sobre carros autônomos e outros serviços que o presidente Travis Kalanick acredita que diminuirão a necessidade das pessoas de ter um carro.

Entre os outros investidores da Uber estão o fundo mútuo Fidelity Investments, a empresa chinesa de busca Baidu e empresas de capital de risco como a Benchmark Capital.

A Uber segue os passos de concorrentes que já garantiram investimentos internacionais à medida que a popularidade dos serviços de solicitação de motoristas aumenta. A Lyft, segunda maior empresa do tipo nos EUA, captou pelo menos US$ 100 milhões da Kingdom Holding, que pertence ao bilionário príncipe saudita Alwaleed Bin Talal.

Em julho, o fundo de investimento da Arábia Saudita adquiriu uma participação de 38% na coreana Posco Engineering & Construction por US$ 1,1 bilhão e também tem planos de investir na Rússia.

O fundo pode acabar controlando US$ 2 trilhões quando a propriedade da gigante do petróleo Saudi Aramco for transferida, de acordo com o vice-príncipe herdeiro Mohammed bin Salman.

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