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A verdade é inconveniente sobre leilões de títulos tesouro EUA

Alexandra Scaggs e Eliza Ronalds-Hannon

(Bloomberg) -- Quando autoridades americanas levantaram a questão da necessidade de maior supervisão do mercado de títulos do Tesouro neste ano, Wall Street revidou ressaltando seu "papel crítico" para garantir a capacidade de captação de recursos dos EUA.

Ocorre que essas instituições financeiras podem estar exagerando sua influência. Os bancos categorizados como negociadores primários --que negociam diretamente com o banco central, o Federal Reserve, e dão lances nos leilões-- compraram apenas 30% desses novos instrumentos de dívida neste ano, a menor parcela em registro, de acordo com dados compilados pela agência de notícias Bloomberg. O grupo de 23 instituições - que inclui JPMorgan Chase, Goldman Sachs e Deutsche Bank - tampouco vem fazendo ofertas tão agressivas quanto no passado.

É consenso que esse grupo ainda desempenha função fundamental no mercado de dívida do governo americano. Mas cada vez mais, atuam como barreira de limite e não na subscrição. Embora parte do motivo seja a disparada da demanda por investidores em um mundo de juros negativos, mudanças no processo de lances tornaram o apoio a leilões menos lucrativo para os dealers. Esse recuo ocorre em um momento em que as investigações sobre negociação de títulos do tesouro antes dos leilões focam em alguns dos maiores agentes desse mercado de US$ 13,4 trilhões.

"Eles sabem que precisam pelo menos fazer uma oferta para dado percentual, mas isso não significa que vão comprar", especialmente quando estão ganhando menos dinheiro e enfrentando maior supervisão, disse Glen Capelo, que passou mais de duas décadas nas mesas de negociação de dealers como Salomon Brothers e RBS Securities e agora é diretor-gerente da Mischler Financial Group. "Eles não vão jogar tão duro quanto antes porque não têm vantagem."

Os negociantes primários facilitam a tomada de recursos pelo governo americano de duas formas: comprando dívida para completar operações antes dos leilões - o que garante a entrega de novos títulos do Tesouro a clientes a um preço pré-determinado, conhecidos como papéis "quando emitidos" - e fazendo lances para suas carteiras proprietárias.

Somente esses negociantes primários têm obrigação de dar lances em leilões e a capacidade deles de fazer ofertas é "crítica para o funcionamento geral do mercado de títulos do Tesouro e ajuda a manter níveis adequados de liquidez nesse mercado", de acordo com uma carta escrita em conjunto pela Associação de Mercados Financeiros e Valores Mobiliários (SIFMA) e pela Associação Americana de Bancos.

Quando a reportagem solicitou comentários, a SIFMA se referiu à carta, que foi uma resposta à primeira pesquisa do Departamento do Tesouro sobre a estrutura desse mercado desde 1998. O porta-voz do Tesouro, Rob Runyan, se recusou a comentar.

Do total de US$ 865 bilhões em títulos vendidos pelo Departamento do Tesouro neste ano, foram comprados pelos dealers somente US$ 262 bilhões, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. É a menor parcela em comparação com números anuais desde pelo menos 2006.

Antes da crise financeira, os dealers chegavam a comprar 69% dos títulos do tesouro oferecidos. Os dados excluem papéis com vencimento inferior a um ano e dívidas compradas pelo Fed para manter o tamanho de sua carteira de Treasuries.

--Com a colaboração de Liz Capo McCormick Taylor Hall e Susanne Walker Barton

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