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O que muda com Ilan no BC?

Josué Leonel

O presidente indicado para o Banco Central, Ilan Goldfajn, trouxe uma diferença de ênfase em discurso durante sabatina hoje no Senado, ao especificar o compromisso não apenas com a inflação na meta, que vai de 2,5% a 6,5%, mas sim com o centro da meta, que é de 4,5%. Isso não necessariamente impede um corte de juros. Mas pode significar um BC mais exigente sobre as condições para um eventual alívio monetário.

"Nosso objetivo será cumprir plenamente a meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, mirando o seu ponto central", disse Ilan aos senadores. Esse comentário mostra um reforço no compromisso do novo presidente do BC com o combate à inflação, segundo o economista José Márcio Camargo, sócio da Opus Gestão de Recursos e professor da PUC-Rio, universidade em que Ilan fez mestrado.

Embora pareça sutil, a questão sobre o centro da meta foi o xis da questão sobre o debate em torno da política monetária desde 2010, quando Alexandre Tombini passou a comandar o BC no governo de Dilma Rousseff. Na visão de muitos economistas do mercado, Tombini mirava a parte superior da margem de tolerância da meta, que vai até 6,5%, e não o centro da meta em si. O último ano em que o IPCA ficou abaixo do centro da meta foi 2009, quando o BC era ainda comandado pelo antecessor de Tombini, Henrique Meirelles, hoje ministro da Fazenda e responsável pela indicação de Ilan.

Como um dos criadores do regime de metas, Ilan pode restabelecer uma abordagem mais rigorosa. "O Ilan vai perseguir os 4,5%. Com o Tombini, a inflação esteve sempre acima do centro da meta", diz Camargo. O professor reconhece que não há espaço para trazer a inflação para a meta este ano, mas considera que o BC será mais duro na busca do objetivo em 2017. Por isso, acha difícil um corte de juros no curto prazo.

Segundo dados do mercado de juros futuros compilados pela agência de notícias Bloomberg, o BC deve iniciar o corte da Selic em julho. Camargo projeta corte para setembro, e isso se for revertida a atual pressão inflacionária, exemplificada pelo IGP-DI acima de 1% de maio, divulgado hoje.

"O BC só vai cortar a Selic quando ele achar que o corte é compatível com uma inflação de 4,5% no próximo ano", disse o economista da Opus. A ideia muito difundida no Brasil, de que é preciso baixar juros, mesmo em face de uma inflação pressionada, para estimular o crescimento, não deve sensibilizar o novo presidente do BC, segundo Camargo. Hoje no Senado, Ilan citou a "história recente" do Brasil, de inflação alta combinada com recessão, como experiência a ser evitada.

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