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China é o pior investimento em ETFs emergentes neste ano

Elena Popina

(Bloomberg) -- A China tem se provado uma das poucas apostas ruins para investidores dos EUA que compram ativos de mercados emergentes por meio de fundos negociados em bolsa (ETF). Quem vende a descoberto enxerga mais perdas adiante.

Entre 93 ETFs específicos a países em desenvolvimento, 31 focados na China acumulam quedas em 2016, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. Os ETFs chineses representam praticamente três de cada quatro que caíram no período. Os fundos desabaram porque o principal índice acionário do país registra o pior desempenho do mundo neste ano, com queda de 17 por cento, enquanto o índice MSCI Mercados Emergentes subiu 5,3 por cento.

As ações em Xangai são derrubadas por decepções com indicadores que vão desde a produção industrial às vendas no varejo e por sinais de que o governo está menos inclinado a dar incentivos ao crescimento. A moeda chinesa caminha para a maior perda mensal desde o ano passado. Os níveis de endividamento reforçam temores de aumento dos calotes, depois de pelo menos 10 corporações terem deixado de honrar pagamentos neste ano.

"Os investidores estão cada vez mais preocupados com a desaceleração do crescimento na China e existem preocupações com o enfraquecimento do yuan", afirmou por telefone Mohit Bajaj, diretor de soluções de negociação de ETFs da WallachBeth, em Nova York. "Isso não favorece o otimismo entre os investidores."

De fato, os investidores intensificaram as apostas em quedas adicionais do mercado chinês.

A parcela de ações vendidas a descoberto no ETF iShares China Large-Cap, composto pelas 50 maiores empresas chinesas, chegou a 18 por cento neste mês, a maior em dois anos, de acordo com dados compilados pela Bloomberg e pela Markit Ltd. A parcela de apostas pessimistas no ETF Deutsche X-trackers Harvest CSI 300 China A-Shares, o maior fundo nos EUA que aplica em ações domésticas da China, aumentou para mais de 7 por cento dos papéis em circulação, comparado a 1 por cento em março.

O Shanghai Composite tem o pior desempenho neste ano entre 93 índices globais. A moeda chinesa é negociada perto da mínima em cinco anos atingida em janeiro. Na semana passada, o Goldman Sachs Group Inc. alertou que a fraqueza do yuan pode desencadear fugas de capital e aumentar apostas em uma desvalorização extraordinária.

O Deutsche X-trackers Harvest CSI 300 China A-Shares acumula queda de 15 por cento neste ano. O iShares China Large-Cap perdeu 1,6 por cento.

Na outra ponta, fundos focados no Brasil e na Rússia apresentam os maiores ganhos neste ano. O VanEck Vectors Russia, o maior ETF voltado para aquele país, disparou 24 por cento. O ETF iShares MSCI Brazil Capped deu um salto de 40 por cento. Na Rússia, a recuperação do preço do petróleo, seu principal produto de exportação, melhora a perspectiva para o país sair da recessão que já dura dois anos. No Brasil, os preços dos ativos avançam com a expectativa de que o novo governo tomará providências para trazer de volta o crescimento econômico.

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