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Xisto perde 9 bi de barris em reservas após investigação da SEC

Asjylyn Loder

(Bloomberg) -- A Ultra Petroleum era um caso de sucesso no xisto. Uma antiga ação de baixo preço que chegou à primeira divisão, ela valia quase US$ 15 bilhões no pico de 2012.

Depois veio o colapso. Quase metade das reservas da Ultra foi eliminada de seus livros de contabilidade neste ano. A empresa pediu recuperação judicial no dia 29 de abril com US$ 3,9 bilhões em dívidas.

A ascensão e a queda da Ultra não são um caso isolado. As reservas comprovadas - os recursos de petróleo e gás que constituem um dos melhores indicadores da capacidade de uma empresa para recompensar os acionistas e pagar dívidas - estão desaparecendo no setor de xisto. Neste ano, 59 empresas americanas de petróleo e gás eliminaram o equivalente a 9,2 bilhões de barris, mais de 20 por cento de seus estoques, segundo dados compilados pela Bloomberg. É de longe a maior quantidade desde 2009, quando a Comissão de Valores Mobiliários (SEC, na sigla em inglês) alterou uma norma para facilitar aos produtores a reivindicação de poços que não seriam perfurados durante anos.

A SEC questiona rotineiramente as empresas a respeito de suas reservas. Agora, os investigadores da agência também saíram à caça de estimativas de reservas infladas, segundo uma pessoa com conhecimento do assunto.

"As reservas constituem uma grande proporção do valor dessas empresas, por isso são muito importantes", disse David Woodcock, sócio da Jones Day em Dallas que foi diretor regional da SEC em Fort Worth, Texas, de 2011 a 2015. "Eles estão analisando ainda mais minuciosamente a forma em que as empresas registram reservas, como elas avaliam a qualidade dessas reservas e quais suas verdadeiras intenções. Eles não estão aceitando respostas automáticas".

Limites

Há duas formas de engrossar as reservas: comprando mais ou descobrindo mais. O 'fracking' tornou a segunda opção mais fácil e o setor pressionou a SEC para que ela contasse uma maior superfície não desenvolvida como reservas comprovadas, argumentando que os locais com indícios de existência do xisto são previsíveis em áreas amplas.

A SEC concordou, com dois limites fundamentais. Em primeiro lugar, a perfuração dos poços deve ser rentável a um preço fixado por uma fórmula da SEC. As empresas receberam um adiamento temporário para 2014 porque o número da SEC era de cerca de US$ 95 por barril, embora o petróleo bruto tivesse despencado para menos de US$ 50 no momento em que os resultados foram informados, no começo de 2015.

A SEC também exige que poços não desenvolvidos sejam perfurados até cinco anos depois da sua incorporação aos livros de contabilidade de uma empresa. O plano quinquenal não pode ser só um desejo. "A simples intenção de desenvolver não constitui a 'adoção' de um plano de desenvolvimento", explicou a SEC em 2009.

Apesar desses limites, as reservas dispararam 67 por cento nos cinco anos subsequentes à modificação da norma em 2009, segundo 53 empresas com registros que se remontam àquela época. Quase metade dos ganhos veio de poços que só existiam no papel.

Penn

A Penn Virginia, uma empresa na qual o bilionário George Soros tinha uma participação, registrou poços no papel em locais com indícios de gás natural onde a companhia não perfurava há anos, segundo cartas da SEC.

"Sua perfuração real não conseguiu respeitar os cronogramas de forma constante", escreveu a SEC em uma carta em abril de 2015. A Penn Virginia respondeu que tinha planos para os poços em até cinco anos, mas eles mudaram quando os preços caíram.

A Penn Virginia eliminou a maioria de suas reservas não desenvolvidas neste ano. A empresa pediu recuperação judicial no dia 12 de maio com US$ 1,2 bilhão em dívidas. Os registros mostram que Soros vendeu seus seis milhões de ações no primeiro trimestre.

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