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Yields ultrabaixos do Japão ganham mundo com compras títulos EUA

Kevin Buckland, Hiroko Komiya e Masaki Kondo

(Bloomberg) -- O Japão está levando os rendimentos ultrabaixos de seus títulos para o mundo com a migração mais rápida da história de recursos em ienes para títulos do Tesouro americano.

Os investidores japoneses foram compradores líquidos de dívidas soberanas dos EUA de longo prazo em abril após abocanharem o total inédito de 5 trilhões de ienes (US$ 47 bilhões) em março, mostram dados do ministério das finanças. Isto ajudou a elevar o custo de hedge contra seus riscos cambiais ao nível mais alto desde a crise financeira global. Tohru Sasaki, chefe de pesquisa dos mercados do Japão do JPMorgan, vê uma "sincronização" entre os títulos soberanos japoneses (JGB, na sigla em inglês) e os títulos do Tesouro dos EUA em um momento em que os investidores do país asiático estão adquirindo rapidamente títulos que oferecem o máximo de rendimento após hedge.

"As empresas de seguros de vida e os bancos japoneses estão basicamente tentando combinar o mercado de JGB com o mercado de títulos dos EUA", disse Sasaki, em entrevista, em 9 de junho, em Tóquio. "Quem está fazendo isso são os investidores em JGB, e não os investidores em títulos estrangeiros, ou seja, eles não vão reduzir seu hedge se o custo aumentar. Isso não vai acontecer". Um título americano com hedge é, efetivamente, o mesmo que uma dívida na moeda japonesa para um investidor em ienes, porque elimina o risco cambial.

Yields negativos

Os bancos e as seguradoras do Japão têm sido obrigados a comprar títulos em ienes com vencimento mais longo ou a investir no exterior depois que a decisão do Banco do Japão, em janeiro, de implementar uma taxa de depósito negativa, derrubou para menos de zero os yields sobre as notas domésticas com vencimento em até 14 anos. O hedge cambial elimina 1,3 ponto percentual do 1,6 por cento de yield dos títulos do Tesouro de 10 anos, usados como referência, ainda assim superando os yields dos títulos soberanos japoneses de 30 anos, que caíram ao nível inédito de 0,21 por cento na quarta-feira.

O presidente do banco central japonês, Haruhiko Kuroda, e seu conselho decidirão a política monetária do país na quinta-feira e apenas um quarto dos analistas consultados pela Bloomberg espera uma expansão dos estímulos. Mais da metade dos participantes prevê ação na reunião de julho.

As maiores empresas de seguros de vida do Japão aumentaram seu hedge contra o declínio do dólar no período de seis meses até 31 de março, segundo seus relatórios de lucros mais recentes, embora o custo de fazer isso tenha atingido o nível mais elevado desde fevereiro de 2009 segundo um indicador. O indicador subiu ainda mais desde então, para níveis não vistos desde dezembro de 2008.

A compra não se limita aos títulos do Tesouro dos EUA. Os investidores japoneses destinaram quase 12 trilhões de ienes às dívidas estrangeiras desde fevereiro, com aproximadamente 70 por cento desse total vindo de empresas de seguros de vida e bancos, segundo números do ministério das finanças.

"As empresas de seguros de vida e os bancos japoneses estão exportando a política de taxas de juros negativas do Japão", disse Sasaki.

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