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Proteção contra Brexit não está ao alcance de membros da UE

Alastair Marsh

(Bloomberg) -- Trata-se de mais um impedimento sofrido por integrantes da União Europeia.

Uma das maneiras mais eficientes para investidores do mercado de crédito protegerem suas aplicações em títulos do governo britânico --uma opção a ser considerada antes do referendo na quinta-feira sobre permanência ou saída do Reino Unido do bloco-- foi vetada por Bruxelas e Berlim.

O mercado de contratos de proteção contra calotes (credit-default swaps ou CDS) em dívidas soberanas, que permite aos investidores se protegerem de perdas ou especularem sobre a capacidade de pagamento de uma entidade, está tão sufocado que não houve qualquer negociação com CDS do Reino Unido na semana encerrada em 10 de junho, período mais recente de dados disponibilizados pela Depository Trust & Clearing Corp. Nas duas semanas anteriores, foram negociados apenas US$ 110 milhões e US$ 148 milhões em contratos.

Cinco anos atrás, o volume semanal de negócios com CDS do Reino Unido estava na casa dos bilhões de dólares. Trocaram de mãos US$ 1,7 bilhão em swaps em junho de 2011, por exemplo.

O giro desabou não só para os contratos britânicos. Em 2011, não era raro haver US$ 8 bilhões em negócios toda semana no índice Markit iTraxx SovX para a Europa Ocidental de CDS para dívidas vendidas por países da Áustria à Irlanda. Porém, na semana passada, nenhum swap foi negociado.

O momento ao sol do mercado de CDS soberanos foi tão fulgente quanto breve, tendo surgido nas profundezas da crise financeira. Foi quando investidores se deram conta de que os governos da Europa e dos EUA talvez não fossem tão livres de risco quanto se pensava, uma vez que estavam assumindo créditos podres de seus sistemas bancários.

Esse brilho se apagou quando autoridades europeias lideradas pela chanceler alemã Angela Merkel tentaram limitar determinadas operações, como parte do que ela chamou de uma batalha dos governos para proteger o euro dos especuladores.

A UE baniu as chamadas negociações nuas de contratos para proteção de calotes em dívidas de países integrantes em 2012 --impedindo o uso desses contratos, a menos que os investidores em questão fossem detentores da dívida soberana subjacente. A decisão veio após a proibição imposta independentemente pela Alemanha no ano anterior.

A intenção era proibir a especulação sobre a capacidade de pagamento dos governos. Porém, a proibição acabou com a liquidez desse mercado, tornando-o menos relevante até para fins de hedge.

Porém, se os britânicos votarem pela saída da UE na quinta-feira, os negócios com CDS podem disparar --até porque os investidores no que restar do distrito financeiro de Londres poderão voltar a fazer essas apostas.

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