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Dívida do setor de saúde chinês é remédio para pânico de calote

Bloomberg News

(Bloomberg) -- Os títulos do setor de saúde da China estão remediando o pânico provocado pelos calotes que fez com que os emissores de outros setores descartassem ofertas.

As empresas farmacêuticas e de assistência médica da China venderam 64,8 bilhões de yuans (US$ 9,67 bilhões) em notas onshore neste ano, um aumento de 153 por cento em relação aos 25,6 bilhões de yuans do mesmo período do ano anterior. As empresas do setor de saúde têm menos de 0,4 por cento de probabilidade de não honrarem o pagamento da dívida nos próximos 12 meses, a taxa mais baixa entre todas as empresas de fora do setor financeiro listadas em Xangai e em Shenzhen, de acordo com o modelo Bloomberg Default Risk, que monitora métricas como o desempenho das ações, os passivos e o fluxo de caixa.

De modo geral, a emissão de dívida corporativa estagnou no trimestre passado porque as empresas retiraram mais de 200 bilhões de yuans em vendas planejadas e a desaceleração econômica dificultou o refinanciamento para os mutuários de setores com excesso de capacidade, como metais e energia. As empresas do setor de saúde, há muito ignoradas pelos bancos estatais, concentrados em respaldar os empregadores tradicionais, agora estão se beneficiando com uma iniciativa do governo para voltar a economia aos serviços, de acordo com Iris Pang, economista sênior do Natixis em Hong Kong.

"As margens de lucro continuarão altas porque a demanda por produtos de saúde e de bem-estar está crescendo na China devido à ascensão da classe média", disse ela. "É bastante irônico" que esse setor agora esteja mais saudável financeiramente, acrescentou. "É que os bancos estão acostumados a emprestar primeiro para empresas estatais e depois para o setor imobiliário, então eles emprestam muito pouco para esses setores novos".

Uma pesquisa feita pelo Natixis com as 3.000 maiores empresas de capital aberto da China e do mundo mostrou "uma forte capacidade de pagamento" no setor de saúde do país. O total do passivo do setor era de 49 por cento de patrimônio líquido, em contraste com a média global de 117 por cento. A margem de lucro das empresas de bem-estar teve uma média de 12 por cento, frente a 8 por cento em todo o mundo, o que deixa amplos recursos para cobrir as despesas com juros, mostrou o relatório de maio.

As empresas de saúde usufruíram de custos mais baixos para tomar empréstimos que as emissoras do setor industrial. A Yunnan Baiyao Holding, fabricante de remédios fitoterápicos com classificação AAA, emitiu dívida com vencimento em 270 dias a 2,95 por cento em 24 de junho. Isso se compara com o yield de 5,5 por cento das notas com vencimento similar vendidas no mesmo dia pela siderúrgica Shandong Iron & Steel Group, com classificação AAA. A média da taxa de cupom para a dívida do setor de saúde vendida em 2016 caiu para 3,07 por cento, contra 5,41 por cento no mesmo período de 2015.

A dívida do setor de saúde "sem dúvida é melhor em comparação com a de outros setores porque há riscos de calote em outras indústrias, e os calotes no setor farmacêutico e de saúde são raros", disse Wu Bin, analista da indústria farmacêutica da Founder Securities.

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