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Mineradoras de ouro podem aliviar rigoroso controle de gastos

Danielle Bochove

(Bloomberg) -- Como os preços do ouro estão registrando o melhor primeiro semestre em quase quatro décadas, a próxima temporada de balanços poderá dar sinais de que as mineradoras estão se preparando para aliviar o rigoroso controle coletivo dos gastos.

As grandes produtoras se concentraram em adiar projetos, reduzir as operações e em outras formas de cortar custos e dívida porque os preços caíram durante três anos consecutivos. Isto gerou o temor de que as empresas não conseguirão manter os níveis atuais de produção porque as minas estão envelhecendo e os exploradores e desenvolvedores menores estão sendo esmagados.

Esta situação vai mudar, porque os futuros do ouro subiram 15 por cento neste ano e existe a possibilidade de que essa recuperação se prolongue por causa de incertezas econômicas como a decisão do Reino Unido de sair da União Europeia, de acordo com Josh Wolfson, analista do setor de mineração da Dundee Capital Markets em Toronto.

"Historicamente, houve uma correlação muito grande -- quase um a um -- entre os custos e o preço do ouro, o que sugere que é provável que, com os preços mais altos para o ouro, os custos aumentem simultaneamente", disse Wolfson, em entrevista por telefone, na semana passada.

A maioria das mineradoras estruturou sua base de gastos a partir da suposição de que o ouro será comercializado na faixa de US$ 1.100 a US$ 1.150 por onça, disse Wolfson. Algumas empresas, como a Barrick Gold Corp., foram ainda mais conservadoras e supuseram o ouro a US$ 1.000 quando planejaram seu orçamento anual e a US$ 1.200 para investimentos de capital significativos e de longo prazo. Os futuros se fixaram nesta segunda-feira a US$ 1.329,30 na Comex em Nova York.

Em uma entrevista neste mês, o presidente da Barrick, Kelvin Dushnisky, disse que a maior mineradora de ouro do mundo manterá o foco em reduzir a alavancagem e poderia ter dívida zero dentro de uma década. Do mesmo modo, o CEO da Newmont Mining Corp., Gary Goldberg, disse que a empresa com sede no Colorado tem espaço para cortar mais os gastos durante os próximos um ou dois anos e que pretende se concentrar no crescimento orgânico com possibilidade de aumentar as onças de produção das propriedades já existentes.

Marcha a ré

Um controle mais rígido dos gastos em todo o setor foi fruto da necessidade depois do fim de um boom que durou 12 anos e viu o ouro subir para mais de US$ 1.900 por onça em 2011. A queda implacável que veio depois deu marcha a ré a uma enorme onda de gastos porque a razão entre a dívida e o lucro aumentou, os depósitos minerais se tornaram deficitários e as ações das empresas desmoronaram. Um indicador de 14 produtoras de ouro internacionais monitorado pela Bloomberg Intelligence caiu durante cinco anos até 2015.

Neste ano, esse índice mais que dobrou.

O aumento dos preços dos metais preciosos deve ajudar os resultados das maiores mineradoras. A Newmont, maior produtora com sede nos EUA, publicará seu relatório de lucros após o encerramento do trading na quarta-feira. A Barrick informará na próxima semana, assim como a Goldcorp, segunda maior produtora canadense. De modo geral, estima-se que o setor do ouro mostrará um impulso positivo nos lucros do segundo trimestre e que voltará a ter um fluxo de caixa positivo, de acordo com um relatório de pesquisa publicado em junho por Andrew Kaip, analista da BMO Capital Markets.

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