Capital especulativo corre para retorno em mercados exóticos

Natasha Doff

(Bloomberg) -- Terrorismo na França, Brexit no Reino Unido, golpe na Turquia -- há convulsões políticas em todos os lugares. Então, para onde está indo o capital especulativo?

Está indo para os mercados mais arriscados do mundo, onde pelo menos os investidores estão sendo pagos pelos riscos.

Desde que o Reino Unido decidiu sair da União Europeia, em referendo no dia 23 de junho, os papéis denominados em dólar de El Salvador, Mongólia e Zâmbia deram retorno de mais de 6,7 por cento, mais que qualquer mercado de dívida do mundo. A Finisterre Capital obteve lucro com papéis iraquianos, a NN Investment Partners está otimista com Camarões e Ucrânia, e a Aberdeen Asset Management está tendo dificuldades para encontrar vendedores de dívida africana.

"O Brexit desencadeou outra rodada de busca por yield", disse Marco Ruijer, que administra cerca de US$ 7,5 bilhões em dívida do mercado emergente na NN Investment em Haia e também gosta da Zâmbia. "Houve grandes influxos na dívida do mercado emergente e os investidores precisam colocar algum dinheiro para trabalhar. Tudo agora é comprar, comprar e comprar".

Os investidores inundaram os mercados emergentes com US$ 18 bilhões em dinheiro depois que o referendo do Reino Unido refreou as apostas em que as autoridades do Federal Reserve estarão dispostas a elevar os juros neste ano em meio à estagnação do crescimento mundial. Embora a primeira onda de compras pós-Brexit tenha se concentrado em países maiores, como Brasil e México, agora os gestores de recursos estão se voltando para a ala exótica e ignorada como refúgio contra os juros negativos no mundo desenvolvido e yields nos mercados emergentes perto do valor mais baixo em três anos, 4,38 por cento.

Os créditos mais arriscados

Os três mercados de papéis de melhor desempenho desde o Brexit têm classificações de crédito pelo menos três degraus abaixo do grau de investimento e chegam a render 10 por cento, de acordo com um índice de dívida soberana da Bloomberg.

"Tudo está em alta no momento, então é preciso ser mais seletivo agora do que nas últimas semanas", disse Damien Buchet, gestor de recursos da Finisterre Capital em Londres, em entrevista no dia 13 de julho. O hedge fund vendeu dívida iraquiana depois que ela subiu para 79 centavos de dólar neste mês, em comparação com 69 centavos de dólar no início de maio.

As incertezas no mundo desenvolvido estão deixando os maiores investidores do mundo mais otimistas em relação aos mercados mais arriscados. A BlackRock está se posicionando para uma "grande migração" para os países emergentes dos gestores de recursos que estão fugindo dos juros negativos. Desde o Brexit, o yield da dívida mongol em dólar com vencimento em dezembro de 2022 despencou 240 pontos-base e chegou ao valor mais baixo em um ano, 7 por cento.

"As pessoas estão se perguntando como o suicídio econômico do Reino Unido vai impactar a Mongólia", disse Jan Dehn, chefe de pesquisa da Ashmore Group, que administra US$ 51 bilhões em ativos do mercado emergente. "A grande transição dos mercados desenvolvidos para os mercados emergentes ainda não aconteceu".

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