Bolsas

Câmbio

Templeton dobra aposta na Colômbia após alta de títulos

Andrea Jaramillo

(Bloomberg) -- Há seis meses, a Franklin Templeton, gestora de um dos maiores fundos de renda fixa do mundo, não possuía nenhuma dívida da Colômbia em moeda local. Agora, a empresa é a maior detentora estrangeira das notas.

A mudança drástica surge após a alta de 18,4% dos títulos neste ano -- quase quatro vezes o ganho médio dos títulos dos mercados emergentes --impulsionada pela recuperação dos preços do petróleo e do peso.

A Franklin Templeton investiu US$ 1,6 bilhão em dívidas colombianas ao longo do segundo trimestre, de acordo com dados compilados pela agência de notícias Bloomberg. É o equivalente a cerca de 10% do total mantido pelos investidores internacionais.

A Colômbia, que tem o petróleo como maior produto de exportação, surgiu como uma das maiores beneficiárias do salto de 63% do petróleo desde fevereiro.

O país atraiu a atenção da Franklin Templeton em seu primeiro trimestre, quando a gestora de recursos acumulou dívidas em pesos pela primeira vez desde 2011, pelo menos. A jogada veio após o diretor de investimentos, Michael Hasenstab, elogiar o Brasil e o México, no que classificou como "oportunidade única em uma década nos mercados emergentes".

"Temos nos concentrado nos títulos em moeda local com rendimentos atraentes" na Colômbia, disse ele por e-mail, na semana passada. "Consideramos os retornos ajustados ao risco altamente atraentes".

No fim de junho, a dívida da Colômbia equivalia a 2,64% do principal fundo da empresa, o Templeton Global Bond Fund. A fatia contrasta com 18,06% do México e 16,97% do Brasil.

Embora Hasenstab aposte que haverá mais ganhos no futuro para a Colômbia, outros não estão tão seguros.

Sean Newman, gestor de recursos da Invesco, que tem sede em Atlanta, EUA, diz que devido ao risco de preços mais baixos do petróleo a curto prazo e de um peso mais fraco, o rali de títulos pode já ter consumido boa parte do fôlego.

"Não acreditamos que haja muito mais ganhos pela frente", disse ele.

Na semana passada, a Fitch Ratings seguiu o exemplo da S&P Global Ratings e revisou a perspectiva para o grau de investimento da Colômbia de estável para negativa, citando o risco de a receita menor com o petróleo ampliar o déficit orçamentário. O governo mira um déficit de 3,9 por cento do produto interno bruto neste ano, que seria o mais alto desde 2010.

Contudo, Hasenstab menciona as regras fiscais que limitam os gastos e os esforços da Colômbia para reduzir dívidas como motivos para ele manter o otimismo. Um tratado de paz que está prestes a ser assinado entre o governo e o maior grupo rebelde do país, as Farc, "deverá provocar uma influência significativamente positiva no futuro econômico do país", disse ele.

"A credibilidade da Colômbia continua sendo forte", disse Hasenstab.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos