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BCE deixa dúvidas sobre testes de estresse de alguns bancos

Silla Brush e John Glover

(Bloomberg) -- O Banco Central Europeu está mantendo segredo sobre a saúde de alguns dos bancos do continente.

Enquanto outro órgão regulador, a Autoridade Bancária Europeia, publicou os resultados dos testes de estresse de 51 bancos, incluindo Banca Monte dei Paschi di Siena SpA e Deutsche Bank AG, o BCE decidiu não revelar publicamente o resultado de seus testes paralelos em 56 outros bancos.

O BCE, a principal autoridade de regulamentação bancária da região, deixou para as instituições financeiras a decisão de publicar ou não informações sobre níveis de capital, qualidade dos empréstimos e alavancagem.

Assim, investidores e o público ficaram no escuro a respeito da capacidade de muitos dos bancos de médio porte do bloco - incluindo alguns com até 100 bilhões de euros (US$ 112 bilhões) em ativos - de suportar uma recessão profunda. A decisão vai na contramão daquelas tomadas por outras autoridades no debate sobre se essas informações esfriam ou esquentam situações de pânico.

"A publicação dos resultados traz alguma transparência ao mercado", disse Stephan Ertz, que ajuda a administrar cerca de 275 bilhões de euros como responsável pela área de crédito da Union Investment, em Frankfurt. "Se você não publica, todo mundo começa a especular o motivo."

Alguns bancos divulgaram seus resultados ou parte deles, mas alguns investidores se perguntam sobre o desempenho de outros e até mesmo se foram testados.

A Autoridade Bancária Europeia examinou 37 bancos de peso diretamente supervisionados pelo BCE, que avaliou separadamente outros 56 bancos, totalizando 93 instituições. O BCE supervisiona 129 bancos "significativos" ao todo, deixando 36 de fora, embora alguns sejam subsidiárias de instituições maiores ou foram testados no ano passado.

Esse silêncio separa o BCE da maioria das entidades reguladoras. A Autoridade Bancária Europeia divulga milhares de pontos de dados para cada instituição financeira que testa. Nos EUA, representantes do banco central (Federal Reserve), incluindo Daniel Tarullo, afirmam que a transparência dos resultados dos testes é crítica para seu sucesso.

O Comitê Especial do Tesouro do Reino Unido pediu que o Banco da Inglaterra dê preferência a divulgar mais a divulgar menos. Sam Woods, que comanda a Autoridade Regulatória Prudencial do Banco da Inglaterra, considera "ferramenta importante" a disciplina de mercado que a transparência proporciona.

A diferença de níveis de divulgação ressalta a dificuldade dos reguladores europeus em aumentar a confiança no setor bancário, que continua pressionado por bilhões de euros em empréstimos de recebimento duvidoso e juros negativos que limitam as margens.

Enquanto o BCE e a Autoridade Bancária Europeia repetidas vezes afirmaram que os bancos têm níveis adequados de capital e que não antecipam novas exigências regulatórias significativas, as ações dos bancos desabaram neste ano.

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