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Investidores japoneses trocam EUA por Itália em busca de rendimentos

Kevin Buckland, Masaki Kondo e Shigeki Nozawa

(Bloomberg) -- Para os investidores japoneses que buscam rendimentos, mas não estão dispostos a assumir riscos cambiais, a Itália é mesmo "o belo país".

Os títulos do governo italiano oferecem um yield de 1,2 por cento durante uma década com cobertura, 24 vezes o oferecido por notas equivalentes do Tesouro dos EUA após levar em conta os custos de proteção contra o risco cambial, segundo cálculos feitos pela Bloomberg. É o yield com cobertura cambial mais alto entre os cinco maiores mercados de dívida soberana do mundo, embora os yields nominais dos títulos do Tesouro dos EUA com vencimento em 10 anos sejam de cerca de 1,6 por cento.

O motivo é o preço da cobertura, que está vinculada ao custo dos empréstimos de moeda local com ienes. Investidores japoneses pagam cerca de 1,5 por cento anualizado por dólares por causa da grande demanda pela moeda americana, mas recebem 0,08 por cento por fazer empréstimos em euros, com base nos futuros de moedas a três meses. Isso está obrigando-os a reavaliar o que tradicionalmente era seu destino preferido de investimento no exterior. Até mesmo os títulos do governo francês com vencimento em dez anos oferecem yields cobertos mais de quatro vezes superiores aos yields dos títulos do Tesouro dos EUA.

"O apelo dos títulos do Tesouro dos EUA está sumindo", disse Eiichiro Miura, chefe de administração de fundos em Tóquio da Nissay Asset Management, que administra mais de US$ 60 bilhões. "Assim como outros, nós estamos diversificando nossos investimentos, dando continuidade a uma transição para papéis de outros países desenvolvidos", como Itália e França, disse ele.

Riscos

Os yields mais altos da Itália não estão isentos de riscos políticos. O primeiro-ministro Matteo Renzi convocou um referendo sobre as reformas do sistema político no intuito de acabar com a instabilidade dos governos do país; ele prometeu renunciar caso perca. A Itália também tem a nota de crédito mais baixa com grau de investimento, BBB, nas principais agências de classificação de risco, em comparação com as notas AA da França e dos EUA.

As maiores empresas de seguros de vida do Japão estão resistindo aos encantos da Itália. Em diferentes entrevistas no mês passado, a Nippon Life Insurance disse que as dívidas da França e da Bélgica oferecem melhores recompensas pelo risco e a Dai-ichi Life Insurance disse que está procurando novos alvos após comprar muita dívida italiana de abril até junho.

As aquisições líquidas de dívida estrangeira de vencimento longo feitas por empresas de seguros de vida superaram 2 trilhões de ienes em julho, um recorde em números do Ministério das Finanças desde 2005. Em abril, investidores japoneses compraram a maior quantidade de dívida italiana em dois anos, um total de cerca de 215 bilhões de ienes, mostram outros dados do Ministério.

"Os custos de cobertura relativamente baixos estão levando os investidores para os papéis europeus", disse Kenta Inoue, estrategista sênior de títulos estrangeiros da Mitsubishi UFJ Morgan Stanley Securities em Tóquio. "Na medida em que o dinheiro japonês comprime yields no mundo inteiro, é inegável que veremos cada vez menos uma separação dos níveis de yields em toda a Europa".

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