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Carros autônomos geram tráfego de transações no Vale do Silício

Elisabeth Behrmann, Polina Noskova e Aaron Kirchfeld

(Bloomberg) -- A revolução dos veículos autônomos no setor automotivo estimulou os dois maiores anos de aquisições de fornecedores automotivos em uma década, e mais transações virão pela frente porque fabricantes de peças estão tendo dificuldade para acompanhar o ritmo das transformações tecnológicas.

O valor total das transações com fornecedores automotivos em 2015 e 2016 foi de US$ 74,4 bilhões, segundo dados compilados pela Bloomberg, e cada um desses anos superou em muito a média anual de US$ 17,7 bilhões registrada nos 10 anos anteriores. O número de transações avaliadas em US$ 500 milhões ou mais também disparou para 18 no ano passado, o triplo do nível da década anterior. Ocorreram 11 transações desse tipo neste ano até agora.

A força motriz por trás dessa onda de consolidação é a pressão para acompanhar a transição aos carros autônomos, iniciada há cerca de cinco anos. Os fornecedores precisam ter o know how para ajudar os carros a verem o ambiente como um motorista humano veria, o que implica o uso de sensores, câmeras e radares, além de capacidade de processamento para decodificar as ondas de dados e compartilhar partes delas, como as condições do trânsito, de um veículo a outro. Ao mesmo tempo, as fabricantes de peças estão ficando mais baratas, porque a incerteza econômica e os temores relativos ao Brexit estão derrubando os preços das ações.

"Os executivos do setor automotivo com certeza estão passando mais tempo em lugares como o Vale do Silício", disse Christian Kames, chefe de investment banking para Alemanha, Áustria e Suíça e um dos diretores globais do setor automotivo do Citigroup. "As áreas de foco são eletrônica, comunicações e software. Antigamente, a maioria dos fornecedores nem tinha esse tipo de tecnologia, mas agora eles sabem que precisam dela para definir os futuros padrões do setor".

Entretenimento informativo

A próxima parada poderia ser o entretenimento informativo, que daria às fabricantes de peças acesso à tão importante interface entre o motorista e o veículo. Com diversos participantes pequenos, este setor é atraente porque as combinações provavelmente não vão gerar preocupações para os órgãos reguladores da concorrência, disse Chris McNally, analista em Londres da Evercore ISI. Entre as empresas que poderiam ser compradas, parcial ou plenamente, estão Harman International Industries, Visteon e Delphi Automotive, disse ele.

A série de transações da semana passada mostra aonde o setor está indo. A ZF, pouco depois da compra da TRW por US$ 12,9 bilhões no ano passado, a maior do setor em oito anos, adquiriu uma participação de 40 por cento na fornecedora de radares Ibeo Automotive Systems e fez uma oferta de 4,41 bilhões de coroas (US$ 515 milhões) no dia 4 de agosto para arrebatar a fabricante de freios Haldex da concorrente alemã SAF-Holland. Um dia antes, foi dito que a Samsung Electronics estaria em negociações avançadas para comprar, total ou parcialmente, a fabricante de autopeças Magneti Marelli, da Fiat Chrysler Automobiles, em uma transação de possivelmente US$ 3 bilhões. Caso se concretize, esta seria a primeira compra da Samsung no setor automotivo.

"Se você não comprar agora, para aumentar seus recursos de direção autônoma e carros conectados, não haverá uma segunda chance", disse Dietmar Ostermann, diretor de prática automotiva da PWC. "Porque outros vão comprar".

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