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Choque de valorização de moedas de emergentes valida apostas

Ye Xie e Natasha Doff

(Bloomberg) -- A comemoração acontece antes tarde do que nunca na BlackRock Inc., na Franklin Templeton e em um punhado de influentes gestoras de recursos que há seis meses previam uma onda de valorização de moedas de países emergentes. Agora, o restante de Wall Street começa a acreditar que a força dessas moedas pode durar.

Um indicador da MSCI Inc. que compila taxas de câmbio de países em desenvolvimento atingiu a maior pontuação em 13 meses e está a caminho de registrar o primeiro avanço anual em quatro anos. Os estrategistas correm para revisar suas previsões para acompanhar a valorização das moedas: são de nações em desenvolvimento oito das 10 moedas que tiveram as maiores revisões altistas desde o fim do primeiro trimestre.

Políticas monetárias de mão aberta derrubaram os rendimentos de mais de US$ 10 trilhões em títulos de Japão e Europa para abaixo de zero há algum tempo. Agora, esse cenário começa a diminuir a volatilidade também nos mercados de câmbio, tornando ainda mais atraentes os ativos de emergentes, que proporcionam maior retorno. Os fluxos de capital também confirmam a confiança dos investidores na perspectiva econômica de países em desenvolvimento.

"Este se tornou um ano dourado para os mercados emergentes e, no momento, parece que ainda há algum espaço para avanço", disse Simon Derrick, estrategista-chefe de câmbio do Bank of New York Mellon Corp., em Londres, que recomenda a compra do rand sul-africano, a segunda moeda de melhor desempenho neste ano. "O movimento amplo de busca por rendimento deve tornar os mercados emergentes bem mais atraentes em um momento em que o mundo desenvolvido parece fadado a taxas ainda menores."

Projeções de fim de ano

Embora as projeções dos estrategistas tenham sido revisadas para cima, os mercados continuam na frente. De acordo com as estimativas atuais, todas as moedas de países emergentes vão se depreciar até o fim do ano.

A estimativa mediana dos analistas para o real no fim do ano sofreu a revisão mais substancial em registro, de 27 por cento desde março. A previsão é que a taxa de câmbio no Brasil termine o ano em 3,4 reais por dólar, ou 7,5 por cento mais depreciada do que o preço de fechamento de terça-feira, de 3,1454. No caso do peso colombiano, a estimativa mediana foi revisada em cerca de 11 por cento desde março para 3.072 por dólar, enquanto a previsão para o rublo da Rússia foi elevada em 7,5 por cento para 67 por dólar.

A disparada de 10 por cento do Índice MSCI de Moedas de Mercados Emergentes sucede um período em que o índice alcançou o menor patamar em quase sete anos no final de janeiro, representando uma grande virada de mesa pelas nações em desenvolvimento. Na ocasião, o barril de petróleo no menor preço desde 2003, a desaceleração econômica da China e a expectativa de alta de juros nos EUA contribuíam para o enfraquecimento das moedas de países emergentes.

BlackRock, Templeton

Naquela fase de perdas, alguns investidores enxergaram recuperação adiante. A Research Affiliates LLC, que ajuda a administrar fundos da Pacific Investment Management Co., afirmou em fevereiro que ativos de países em desenvolvimento poderiam ser a "transação da década", após três anos de desempenho inferior que tornaram suas avaliações atraentes. Naquele mesmo mês, a BlackRock, maior gestora de recursos do mundo, aconselhou a compra de dívidas de mercados emergentes. O badalado gestor de renda fixa Michael Hasenstab, da Templeton, compartilhava esse otimismo, preferindo moedas como o peso mexicano, o ringgit da Malásia e a rúpia da Indonésia.

Estas apostas deram certo.

O índice MSCI se recuperou com força das mínimas, à medida que o banco central dos EUA (Federal Reserve) adiou o aumento dos juros para sustentar o crescimento, ajudando a depreciar o dólar e a impulsionar as moedas de países emergentes.

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