Fundo de dívida emergente do Goldman continua otimista

Lilian Karunungan e Netty Ismail

(Bloomberg) -- O Goldman Sachs Asset Management aposta que o rali nos mercados emergentes vai continuar porque bancos centrais de todo o mundo estão injetando dinheiro em suas economias, e recorre até mesmo aos títulos distressed da Venezuela para obter retornos maiores.

A demanda por ativos do mercado emergente terá suporte já que o Banco Central Europeu está mantendo a flexibilidade da política monetária e o Federal Reserve dos EUA se tornou mais "dovish", disse Owi Ruivivar, diretora-gerente em Cingapura que ajuda a administrar cerca de US$ 1 trilhão para a empresa de Wall Street, em uma entrevista. Os títulos internacionais dos países em desenvolvimento caminham para registrar seu melhor desempenho em quatro anos, e projeta-se que as taxas de câmbio vão acabar com os três anos de declínios frente ao dólar dos EUA.

"Temos sido incrivelmente construtivos na área de renda fixa do mercado emergente", disse Ruivivar, que ajuda a administrar o GS Emerging Markets Debt Portfolio, de US$ 5,7 bilhões, que subiu 13 por cento nos últimos 12 meses e superou 92 por cento de seus pares, segundo dados compilados pela Bloomberg. "Estamos em um ambiente em que haverá liquidez por mais tempo no mundo desenvolvido".

Os países em desenvolvimento oferecem yields em média nove vezes mais altos que os países avançados, suas economias estão crescendo mais de duas vezes mais rapidamente e seus riscos políticos agora são equiparáveis aos dos referendos sobre a permanência na União Europeia e da eleição presidencial dos EUA. É mais provável que o Fed eleve as taxas de juros mais para o fim do ano do que em sua próxima reunião, em setembro, disse ela.

O Goldman vê valor nos títulos da Venezuela e da República Dominicana e prefere a dívida em moeda forte, em detrimento das notas locais. A dívida em dólar emitida por esses dois países deu retornos de 26 por cento e 16 por cento, respectivamente, neste ano, mostram índices compilados pelo JPMorgan Chase & Co.

Em dificuldades financeiras e sob alerta de calote nos últimos dois anos, a Venezuela tem uma boa chance de sobreviver a mais um ano sem deixar de honrar os pagamentos de sua dívida, de acordo com a Aberdeen Asset Management e o JPMorgan.

A República Dominicana, que exporta banana, ouro e café, é o país latino-americano com o crescimento mais acelerado, porque os baixos preços do petróleo aumentaram a quantidade de receita disponível e uma recuperação nos EUA ajudou o turismo e os fluxos de remessas de recursos.

"Gostamos da Venezuela, apesar de suas variáveis fundamentais, porque achamos que a dívida é barata em relação à sua taxa de recuperação potencial", disse Ruivivar. A República Dominicana "é um desses créditos pouco pesquisados. É uma economia mais diversificada".

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