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Refinarias dos EUA se beneficiam com falta de combustível na AL

Lucia Kassai

(Bloomberg) -- A queda das refinarias latino-americanas tem sido benéfica para as fabricantes de combustíveis dos EUA.

Estatais como a Petrobras e a Petróleos Mexicanos não conseguiram concluir nove projetos avaliados em pelo menos US$ 36,4 bilhões que teriam fornecido 1,2 milhão de barris de gasolina e diesel por dia. As refinarias dos EUA intensificaram sua produção para ajudar a fechar o déficit e suas exportações quase dobraram nos últimos seis anos, segundo a Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA, na sigla em inglês).

A queda dos preços do petróleo, os altos níveis de endividamento e a impossibilidade de encontrar parceiros que ajudassem a financiar as plantas estão entre os motivos citados pela Pemex, pela Refinadora Costarricense de Petróleo e pela colombiana Ecopetrol para adiarem seus planos. A Petrobras diminuiu o ritmo devido à queda dos preços e ao escândalo de corrupção.

"Os planos de investimentos em refinarias na região realmente fracassaram nos últimos 12 meses ou mais", disse Mara Roberts, analista da BMI Research em Nova York, por e-mail. "A América Latina está disposta a receber uma oferta crescente dos EUA".

As exportações dos EUA para a região vêm crescendo continuamente e atingiram um recorde de 1,88 milhão de barris por dia neste ano. A América Latina atualmente recebe 42 por cento das exportações de combustível dos EUA, contra 38 por cento há uma década. A produção de combustível dos EUA aumentou 4,1 por cento em dois anos, para um recorde de 19,9 milhões de barris por dia em 2015, mostram dados da EIA.

Empresas como Valero Energy, Marathon Petroleum e PBF Energy ampliaram as taxas operacionais de suas refinarias e com o crescimento mais lento da demanda doméstica dos EUA a exportação para a América Latina está ajudando a absorver a oferta excedente de combustível. A taxa de utilização estava em 93,3 por cento na semana que terminou em 29 de julho, nível mais alto desde novembro.

Paralisando os trabalhos

A Petrobras interrompeu a construção de duas refinarias com capacidade para produzir 300.000 barris por dia, as plantas Premium I e Premium II. A empresa também paralisou os trabalhos no complexo petroquímico Comperj, de 165.000 barris por dia, e adiou a expansão da refinaria Abreu e Lima.

Em resposta a um pedido de comentário, a Petrobras disse que as decisões sobre a construção de novas refinarias serão anunciadas como parte de seu próximo plano de investimento de cinco anos. A empresa não revelou quando esse anúncio será feito. O Ministério de Setores Estratégicos do Equador, que está no comando do projeto para construir a nova refinaria Pacífico, não deu retorno aos telefonemas e e-mails em busca de comentário. A Valero, a Marathon e a PBF preferiram não comentar.

A Pemex preferiu não comentar os planos para refinarias futuras ou existentes.

O governo do Equador está procurando parcerias para construir a refinaria Pacífico, um projeto que processaria 300.000 barris por dia. A colombiana Ecopetrol informou que suspendeu a expansão da planta Barrancabermeja até os preços do petróleo se recuperarem. A refinaria nacional da Costa Rica cancelou os planos de expansão da única planta do país.

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