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Deutsche Bank deve pensar em eliminar bônus de 2016, diz Sewing

Nicholas Comfort

(Bloomberg) -- O conselho supervisor do Deutsche Bank deveria discutir a eliminação de bonificações para executivos do alto escalão pelo segundo ano consecutivo depois que o maior banco da Alemanha adiou o pagamento de dividendos, disse Christian Sewing, responsável por serviços bancários de varejo.

"É claro que se não pagamos dividendo a nossos acionistas, nossos próprios bônus também precisam ser debatidos", disse Sewing, que é um dos dez integrantes do conselho administrativo do Deutsche Bank, ao jornal Bild-Zeitung. Uma porta-voz do banco com sede em Frankfurt disse que os comentários foram publicados corretamente.

O CEO do Deutsche Bank, John Cryan, 55 anos, vendeu ativos arriscados e eliminou milhares de empregos para fortalecer as contenções de capital e aumentar a lucratividade, afetada pelos crescentes custos legais e por normas mais rígidas. O CEO cancelou bonificações para os executivos do alto escalão e suspendeu dividendos depois que o banco registrou no ano passado o primeiro prejuízo anual desde 2008.

As ações caíam 3,2 por cento, para 12,26 euros, às 16h20 em Frankfurt. Embora a instituição tenha perdido 46 por cento do valor de mercado neste ano, Cryan insinuou que não há necessidade imediata de levantar capital.

Pagamento de bônus

"A questão de um aumento de capital não é um problema no momento", disse Sewing, 45 anos, ao Bild-Zeitung. "O preço das ações está muito baixo, mas nossa meta é que o banco volte à lucratividade no longo prazo. Isso também aumentaria o preço das ações".

Como o Deutsche Bank eliminou ativos e acumulou patrimônio e liquidez desde a crise financeira, "os órgãos reguladores não veem nenhuma necessidade imediata de aumentarmos nosso capital", disse ele. O banco está "a caminho" de atingir a meta de índice de capital de Nível 1, uma métrica de robustez financeira, de pelo menos 12,5 por cento até o final de 2018, disse Cryan no mês passado.

Sewing, que também dirige a unidade de clientes comerciais e de alto patrimônio, receberia um salário de 2,4 milhões de euros (US$ 2,7 milhões) e até 5,9 milhões de euros em bônus relativos a este ano, informou o banco em março. Embora teoricamente a compensação "máxima" de Cryan segundo a fórmula do banco seja de 12,5 milhões de euros, ele não pode receber de fato esse montante, porque a remuneração dos membros do conselho administrativo em 2016 foi limitada a 9,85 milhões de euros.

O tamanho dos bônus depende do desempenho da instituição. Cryan adiantou que talvez o Deutsche Bank não consiga voltar a dar lucro neste ano porque está assumindo custos para demitir funcionários e acumula provisões para multas e processos judiciais.

Sewing acrescentou que o Deutsche Bank não pretende repassar o custo dos juros negativos para clientes pessoa física. Outros bancos provavelmente terão que seguir o exemplo da instituição alemã e cobrar tarifas sobre as contas, disse ele, segundo o jornal.

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