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Pemex acumula problemas e déficit de caixa derruba produção

Jose Enrique Arrioja e Adam Williams

(Bloomberg) -- A piora das finanças da Petróleos Mexicanos deverá se agravar, sinal de que não há um fim à vista para a sequência de anos de queda da produção de petróleo.

A produção da empresa poderá encolher para cerca de 1,6 milhão de barris por dia até 2020, menos da metade de seu pico de 2004, porque faltam a tecnologia e os recursos para modernizar os campos antigos, disseram analistas do Morgan Stanley liderados por Martijn Rats, em relatório de 24 de julho obtido pela Bloomberg.

A Pemex enfrentou déficits de fluxo de caixa nos últimos três anos e o déficit quase dobrará de US$ 13 bilhões em 2015 para US$ 22 bilhões neste ano, um recorde, segundo estimativas e dados compilados pela Bloomberg.

Se antes o México fornecia mais petróleo aos EUA do que a Arábia Saudita, hoje o peso do país diminuiu porque o boom do xisto reduziu as importações americanas e o colapso dos preços do petróleo minou as esperanças de atrair bilhões em investimento estrangeiro.

O país agora está preso a um ciclo vicioso no qual a queda das receitas de seu principal negócio levou o governo a cortar o orçamento da Pemex, reduzindo ainda mais sua capacidade de reverter a queda. Devido à insuficiência de liquidez e investimentos, a Pemex continuará encolhendo porque não consegue restaurar a produção em áreas nas quais não possui conhecimento técnico, disseram analistas do Morgan Stanley.

"Esperamos alguma preocupação com o déficit, uma hesitação do setor privado em termos de compromisso de longo prazo no México", disseram os analistas. "Os preços mais baixos do petróleo expuseram déficits importantes que precisarão ser corrigidos nos próximos anos".

'Reforma 2.0'

A estimativa de produção do Morgan Stanley para 2020 representaria uma queda de cerca de 700.000 barris por dia em relação aos níveis atuais.

Os declínios contínuos de produção expuseram falhas na estrutura fiscal da reforma regulatória de 2014 do país, que encerrou décadas de monopólio estatal para buscar os tão necessários investimentos estrangeiros, segundo o relatório.

Essas falhas provavelmente exigirão uma modificação ou uma "reforma energética 2.0", disseram os analistas.

O banco de investimento estima que "a revisão da reforma energética estará na agenda do próximo governo depois de 2018", exigindo medidas provisórias, como injeções de capital adicionais do Ministério da Fazenda.

Em 15 de maio, o Ministério da Fazenda assumiu 184,2 bilhões de pesos (US$ 10 bilhões) em passivos de pensões da Pemex e transferiu 47 bilhões de pesos em títulos conhecidos como Bondes D para a empresa na tentativa de ampliar sua liquidez.

O governo também deu à Pemex uma injeção de capital de 73,5 bilhões de pesos para quitar dívidas em circulação com fornecedoras de serviços de petróleo e absorver parte dos passivos da empresa com pensões em abril.

Os déficits de fluxo de caixa, um sinal de que a empresa está gastando mais do que arrecada com as operações, complicarão ainda mais os esforços do CEO José Antonio González para buscar joint ventures, estabilizar a produção e melhorar refinarias problemáticas.

A dívida total disparou para quase US$ 100 bilhões e a empresa poderá perder sua classificação de grau de investimento da Moody's Investors Service, que a colocou em análise para possível rebaixamento.

A Pemex também teve que suportar cortes de 162 bilhões de pesos de seu orçamento nos últimos dois anos devido ao colapso do mercado de petróleo. Sua produção deverá cair pelo 12º ano seguido.

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