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Após vender maconha, produtora uruguaia vê futuro no cânhamo

Ken Parks

(Bloomberg) -- Mesmo com todo o burburinho que está causando, a maconha legalizada pode não atender as expectativas. Pelo menos não no Uruguai, onde os limites à produção e à precificação levaram uma das duas produtoras a diversificar os negócios e comercializar o cânhamo, que é menos regulado.

Semanas antes de vender sua primeira onça de maconha em farmácias, a International Cannabis Corp. já está apostando que o cânhamo -- uma variedade da cannabis -- será um mercado muito maior do que a venda da parte psicoativa da planta, segundo o CEO Guillermo Delmonte. O cânhamo e seus extratos podem ser usados em alimentos, cosméticos e medicamentos.

"A cannabis para uso recreativo é regulada pelo governo e nós vendemos o que o governo nos permite vender", disse Delmonte, que trabalhou em gestão de patrimônio no banco espanhol BBVA antes de entrar na International Cannabis. "No mercado de cânhamo, podemos produzir tudo que pudermos para atender a demanda".

O mercado global de cânhamos deverá crescer além do nível atual de US$ 1 bilhão com a legalização da produção em mais países, segundo a empresa Medical Marijuana, uma produtora de maconha de capital aberto da Califórnia. Para uma empresa como a International Cannabis, isto significa uma expansão além do Uruguai, que, com sua população de 3,3 milhões de habitantes, limita a quantidade de maconha com venda permitida. A empresa já está em negociações avançadas com cinco empresas farmacêuticas e alimentícias europeias e sul-americanas para fornecer aditivos como óleo de cânhamo e extratos baseados no cânhamo para produtos médicos, disse Delmonte.

A International Cannabis, de propriedade majoritária da empresa de investimentos Union Group, cujos ativos incluem a maior empresa agrícola do Uruguai, planeja começar a plantar cânhamo no mês que vem, disse ele.

Embora a Simbiosys, a única outra produtora uruguaia licenciada de maconha para uso recreativo, esteja focada apenas no mercado de maconha para uso recreativo por enquanto, Gastón Rodríguez Lepera, acionista da empresa, vê um futuro maior no cânhamo.

"O Uruguai ainda tem uma oportunidade de desenvolver um setor em áreas não tão espinhosas quanto a de maconha para uso recreativo", disse Rodríguez, 44, que atua como consultor de investidores no segmento do cânhamo. Isso inclui "empreendimentos mais aceitos socialmente, como maconha medicinal ou cânhamo industrial".

A divisão entre produtores de diferentes produtos baseados na cannabis no Uruguai é similar à que ocorre nos EUA, onde o cânhamo industrial legal e os aditivos baseados em óleo de cânhamo são uma forma cada vez mais popular e menos arriscada de entrar na chamada Corrida Verde. O Uruguai emitiu permissões para o cânhamo para quatro empresas, incluindo uma apoiada por investidores americanos, e está estudando mais dois pedidos, disse o Ministério da Agricultura, em comunicado enviado por e-mail.

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