Excesso de oferta cresce e pressiona Opep a agir em Argel

Grant Smith e Anthony DiPaola

(Bloomberg) -- Enquanto a Organização dos Países Exportadores de Petróleo se prepara para a reunião que acontecerá em Argel na próxima semana, o mercado de petróleo relembra aos integrantes da Opep o que estará em jogo caso não consigam chegar a um acordo.

Mais de 800.000 barris adicionais de petróleo estão entrando por dia no mercado internacional neste mês, em comparação com o mês passado. O ritmo de extração na Rússia é o maior já registrado e Líbia e Nigéria estão recuperando aparatos de produção que tinham sido paralisados, de acordo com comunicados ministeriais. Isso significaria triplicar o excedente atual de oferta, estimado em 400.000 barris por dia pela Agência Internacional de Energia (AIE).

"Estamos produzindo em excesso e não reduziremos os estoques como pensávamos que iríamos fazer", disse Chris Bake, executivo sênior da Vitol Group, a maior corretora independente de petróleo. "Continuamos acumulando estoques de petróleo e isso é um problema."

O excesso mundial de petróleo persistirá depois do começo de 2017, porque integrantes da Opep, como a Arábia Saudita, estão produzindo em níveis máximos, enquanto outros, como o Irã e o Iraque, estão aumentando a própria capacidade de produção, e a produção de fora do grupo está suportando a queda dos preços, de acordo com a AIE. O barril pode não se sustentar acima de US$ 40 se a Opep não agir, na opinião do Citigroup.

A cotação do petróleo persiste em patamar inferior à metade do preço médio do começo da década, prejudicando as finanças de produtores no mundo inteiro. O petróleo disparou no mês passado devido à especulação de que a Opep e a Rússia retomariam o pacto de limitar a produção, mas os preços recuaram desde então.

Maior ceticismo

Apesar de uma série de reuniões em Viena, Paris e Moscou na tentativa de chegar a um consenso, há dúvidas sobre a viabilidade de qualquer acordo na Opep. Entre 23 analistas consultados pela Bloomberg nesta semana, 21 dizem que o grupo não chegará a um acordo em Argel no dia 28 de setembro.

A volatilidade criada na oferta pelo retorno inesperado das exportações da Líbia e da Nigéria torna mais difícil traçar um plano comum para estabilizar o mercado, disse Ed Morse, diretor de pesquisa sobre commodities do Citigroup em Nova York.

Um pacto poderia conceder isenções para que países como Nigéria e Líbia recuperem a produção, mas sem um acordo não haverá limites para a oferta da Opep. Isso poderia inchar o excedente global projetado para o próximo ano pela AIE, que tem sede em Paris e aconselha países consumidores de energia.

"Se não congelarem a produção, eles correm o risco de mandar o preço do barril para a faixa de US$ 30 a US$ 40", disse David Hufton, CEO da PVM Group em Londres.

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