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Empréstimo instantâneo transforma prodígio em bilionário

Peter Coy

(Bloomberg) -- Um empreiteiro na sua sala de estar oferece um trabalho de reforma da residência por US$ 15 mil.

Você quer contratá-lo, mas não tem essa quantia imediatamente à disposição. Então ele oferece um financiamento barato: pede sua carteira de motorista e escaneia o código de barras na parte de trás (nos documentos dos EUA).

Quarenta segundos depois, você tem um empréstimo -- não apenas pré-aprovado, mas realmente aprovado. Sem juros e sem pagamentos nos 12 primeiros meses. Você assina o contrato.

Esse é o modelo de negócio da GreenSky, uma empresa de US$ 3,6 bilhões que ajuda os comerciantes a fecharem vendas ligando clientes a credores no ponto de venda.

A empresa de Atlanta, EUA, recentemente saiu do nada e ficou em terceiro lugar nos EUA em termos de avaliação entre as empresas de tecnologia financeira de capital fechado financiadas por investidores de risco. Esse ranking é da CB Insights, um banco de dados que coloca apenas a Stripe e a SoFi, duas empresas muito mais conhecidas, à frente da GreenSky em sua lista de "unicórnios da tecnologia financeira".

Nasce o unicórnio

O sócio majoritário da GreenSky, David Zalik, apareceu no radar da imprensa de forma igualmente repentina. Ele se mudou de Israel para o Alabama com a família aos 4 anos, pulou o Ensino Médio, se matriculou na Universidade de Auburn (onde seu pai trabalhava) aos 14 e depois largou-a para se concentrar em uma empresa de montagem de computadores que ele havia fundado.

Apesar de sua história pessoal única e do sucesso empresarial precoce, ele conseguiu driblar quase toda a atenção. Foram necessárias oito tentativas -- por meio de telefonemas, emails, redes sociais e contatos com pessoas que o conhecem -- para conseguir um retorno. Quando Zalik, 42, visitou a sede da Bloomberg em Nova York, em 31 de agosto, ele disse que aquela era a "primeira entrevista" que concedia.

Evitar a atenção está ficando mais difícil para Zalik. Em 14 de setembro, o Fifth Third Bancorp, de Cincinnati, anunciou uma parceria com a GreenSky e simultaneamente comprou uma participação de US$ 50 milhões na empresa que implica um valor de US$ 3,6 bilhões para a companhia de Zalik. O negócio foi suficiente para render à startup uma reportagem no Wall Street Journal.

O sucesso crescente da GreenSky contrasta com as dificuldades da LendingClub, que vem perdendo dinheiro e viu seu valor de mercado cair 78 por cento desde seu pico, em 2014.

Como funciona? A GreenSky não realiza empréstimos. Em vez disso, inscreve comerciantes que vendem itens caros, como móveis e projetos de reforma de residências, incluindo substituição de janelas, revestimentos de alumínio e telhados. (Recentemente, a empresa passou a gerenciar também alguns procedimentos médicos.)

Depois, liga o comerciante a um banco, ou a um grupo de bancos, disposto a oferecer empréstimos a consumidores qualificados.

Foi apenas nos últimos três anos que a GreenSky conseguiu se consolidar financeiramente, segundo Zalik. Ele havia tomado grandes empréstimos para lançar a empresa, preferindo entregar o mínimo de ações possível. "Três anos atrás", disse ele, "eu não sabia se conseguiria me qualificar para a hipoteca de uma nova casa".

Claramente isso deixou de ser problema. A GreenSky conta com cerca de 650 funcionários e Zalik disse que a empresa facilitou uns US$ 2 bilhões em empréstimos no ano passado e chegará perto de US$ 4 bilhões neste ano. Sua meta é alcançar US$ 20 bilhões em 2020.

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