Cinco fatores que vão definir a continuidade do rali do Brasil

Denyse Godoy

(Bloomberg) -- O Ibovespa fechou o terceiro trimestre seguido de alta na sexta-feira, ampliando o rali que faz do Brasil o mercado de ações de melhor desempenho do mundo neste ano. Mas muitos investidores dizem que, para que os ganhos continuem, será necessário mais do que otimismo e promessas de recuperação.

A especulação de que o governo do presidente Michel Temer poderia resolver rapidamente os problemas do Brasil --desde controlar o crescente deficit do orçamento até tirar a maior economia da América Latina de sua pior recessão em um século-- já impulsionou uma elevação de 64% para as ações neste ano.

Nos últimos meses de 2016, as atenções se voltarão ao Congresso, para ver se os parlamentares estão dispostos a apoiar os planos do presidente.

"O oxigênio que alimentou os enormes ganhos do Ibovespa nos últimos meses --o otimismo de que o plano de recuperação da economia vai funcionar-- esgotou-se", disse Adeodato Volpi Netto, chefe de mercados de capitais da Eleven Financial Research em São Paulo. "A mudança precisa começar de fato para que as apostas se transformem em valor real."

Investidores e analistas apontam cinco fatores que ajudarão a definir se o rali de ações do Brasil continuará:

1 - Lei sobre limite de gastos do governo (PEC 241) e reforma da Previdência:

A limitação do aumento do orçamento anual à taxa de inflação é um dos pilares do plano do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para frear os gastos e evitar novos rebaixamentos da classificação de crédito depois que o Brasil perdeu o cobiçado grau de investimento no ano passado.

A aprovação do projeto de lei é vista como um teste crucial para a equipe de Temer. O relator da chamada PEC 241 na comissão especial da Câmara dos Deputados, Darcísio Perondi (PMDB-RS), deve apresentar suas conclusões no início desta semana, segundo a consultoria de risco político Eurasia Group.

A comissão provavelmente votará entre 7 e 10 de outubro. O plenário da Câmara deve votar em 31 de outubro e o Senado daria sua aprovação em meados de dezembro.

A equipe econômica também deve propor uma reforma da Previdência, que Temer enviará ao Congresso ainda neste ano. O PMDB, partido de Temer, e o PSDB, seu principal aliado, foram os grandes vencedores das eleições municipais realizadas no fim de semana, o que aumentou o otimismo de que o governo federal obterá apoio para suas medidas.

2 - Operação Lava Jato:

A investigação de corrupção iniciada na Petrobras continua avançando e mais recentemente envolveu Mantega e Palocci, ex-ministros da Fazenda e da Casa Civil dos governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Espalhando seus tentáculos por todo o ambiente político e de negócios brasileiro, a investigação leva os investidores a se perguntar quem será o próximo a cair, disse Paulo Figueiredo, economista da FN Capital em Petrópolis, no Rio de Janeiro.

3 - Taxas de juros no Brasil:

Segundo os contratos de juros futuros negociados na BM&FBovespa, os traders estão apostando que o Banco Central começará a flexibilizar sua política monetária na reunião de outubro. A taxa básica é mantida no maior patamar em 11 anos, de 14,25%, desde julho de 2015, o que desencoraja empresas a investir e consumidores a contrair empréstimos.

Os investidores prestarão muita atenção aos dados de inflação para verificar se os aumentos de preços estão convergindo para a meta de 4,5%, como o presidente do BC, Ilan Goldfajn, disse na semana passada que aconteceria.

4 - Eleições nos EUA e Fed:

Aqueles que investem no Brasil têm mostrado nervosismo em relação ao fantasma da alta dos juros nos EUA. Os traders apostam que o Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) poderá elevar os juros em dezembro, o que aumenta a importância de o Congresso brasileiro aprovar as reformas fiscais antes disso, disse Paulo Henrique Amantéa, economista da corretora Guide Investimentos em Belo Horizonte.

Uma vitória do candidato presidencial republicano Donald Trump também pode ser uma má notícia para as economias latino-americanas, especialmente se ele cumprir as promessas de reformular os acordos comerciais na região. Os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil.

5 - Preços das commodities:

Apesar do alvoroço gerado pela turbulência política no Brasil, as commodities ainda são um dos principais motores do desempenho do mercado de ações.

Os produtores de matérias-primas respondem por quase um quarto do peso do Ibovespa e a correlação entre o índice e as commodities está no nível mais alto em três meses.

Os debates da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) sobre a produção de petróleo e os esforços chineses para estimular o crescimento terão um papel importante na sustentação ou na queda das ações brasileiras, disse Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da corretora Nova Futura em São Paulo.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos