Mineradora de melhor desempenho prevê otimismo para ouro

Andrew Willis e John Quigley

(Bloomberg) -- A mineradora de ouro de melhor desempenho do mundo tem algumas palavras reconfortantes para os investidores bombardeados pelos comentários hawkish do Federal Reserve (Fed): a sequência otimista do metal está intacta.

Os preços do lingote são apoiados, no aspecto físico, por restrições ambientais e sociais à oferta e por uma forte demanda liderada pela Índia e pela China e, no aspecto financeiro, pela capacidade limitada dos EUA em aumentar as taxas de juros, de acordo com a Cía. de Minas Buenaventura.

As ações listadas em Nova York da maior mineradora de ouro local da América Latina triplicaram seu valor neste ano e tiveram desempenho superior ao de todos os membros de um índice de grandes produtores no mesmo período.

"No longo prazo, eu não tenho dúvidas de que o preço do ouro continuará aumentando", disse o diretor financeiro, Carlos Gálvez, em entrevista de Nova York na segunda-feira. "É cada vez mais difícil substituir as reservas. Não houve nenhuma descoberta de classe internacional nos últimos 10 anos".

O rali do lingote cambaleou, após o melhor primeiro semestre em quase quatro décadas, em meio à crescente preocupação de que uma melhoria da economia dos EUA dará impulso a aumentos nos juros que reduziriam sua competitividade frente a ativos que rendem juros.

Fazendo eco aos comentários do ex-secretário do Tesouro dos EUA, Lawrence Summers, antes da última reunião do Fed, Gálvez disse que a economia americana está muito fraca para começar a elevar os juros.

Isso cria uma oportunidade para o ouro, disse ele. Até mesmo um aumento de 25 pontos-base neste ano seria "uma piada" após tanto debate sobre o assunto, disse Gálvez.

A Buenaventura está planejando começar a explorar a mina de San Gabriel, no Peru, no ano que vem e também poderia iniciar o projeto Trapiche se obtiver as garantias sociais necessárias. Ambos os projetos parecem técnica e economicamente "bons", disse Gálvez.

O endividamento da empresa é "muito confortável", com uma dívida líquida que deverá cair para duas vezes o lucro antes de itens até o fim do ano, frente a mais de cinco vezes no fim de 2015, disse ele.

Novo governo

A mineradora com sede em Lima e sua parceira, a Newmont Mining, estão tentando substituir as reservas em Yanacocha, a maior mina de ouro da América do Sul, onde a produção caiu 20 por cento no ano passado para 512.000 onças.

As obras em Minas Conga, o projeto de minas de cobre e ouro no estado peruano de Cajamarca, foram suspensas em 2012 após protestos das comunidades. O novo governo do Peru, do presidente Pedro Pablo Kuczynski, está em boa posição para reduzir a oposição aos investimentos em mineração, o que pode tornar Conga viável, disse Gálvez.

A primeira prioridade de Kuczynski provavelmente será o projeto Tía María, da Southern Copper, que foi interrompido devido a protestos no ano passado, disse Gálvez.

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