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Experimento químico chinês pode lesar investidores

Christopher Langner e David Fickling

(Bloomberg) -- A tão anunciada reforma de companhias estatais na China está realmente acontecendo. No entanto, antes de comemorar, os investidores deveriam analisar suas carteiras. Quem tiver títulos de uma das empresas-alvo pode ter motivos para estremecer.

É o que provavelmente está fazendo agora quem comprou títulos denominados em dólar da Sinochem. A notícia de que a China planeja uma fusão entre a empresa e seu par mais fraco ChemChina, reportada pela Bloomberg News na sexta-feira, aumenta as chances de que a Sinochem seja rebaixada.

O melhor resultado que os investidores em dívida podem esperar é que o acordo seja estruturado de um modo que ative a cláusula de mudança de controle presente em alguns títulos denominados em dólar da Sinochem, o que possibilitaria que eles exijam seu dinheiro de volta imediatamente.

A Sinochem International, braço do grupo com ações em bolsa, registrou receita líquida de 480,5 milhões de yuans (US$ 71 milhões) em 2015, e a ChemChina perdeu 7,5 bilhões de yuans. Em um recente prospecto de títulos chineses, a ChemChina atribuiu os resultados negativos em parte ao fato de ter incorporado uma série de empresas estatais não rentáveis durante a última década. Em resumo, a lucrativa Sinochem está assumindo um negócio que reúne empresas ruins controladas pelo governo.

Alguém sempre sai ganhando quando outros perdem. Neste caso, quem investiu nos títulos da National Bluestar, subsidiária da ChemChina, pode estourar o champanhe. Embora alguns estejam protegidos contra uma aquisição pela mesma cláusula de mudança de controle como nos títulos denominados em dólar da Sinochem, eles têm menos probabilidade de ativá-la. A Sinochem corre o risco de ser rebaixada de sua classificação atual A3 pela Moody's, a Bluestar provavelmente ganharia um impulso em sua nota Baa2, duas abaixo de seus pares.

Para os banqueiros que estão trabalhando na aquisição da Syngenta pela ChemChina, a fusão também poderia ser uma notícia boa, pelo menos do ponto de vista financeiro. A Caixin informou no início desta semana que o China Construction Bank e o China Merchants Bank tinham se retirado do consórcio de credores que financia a transação em dinheiro. Cerca de US$ 15 bilhões em fundos necessários para finalizar a transação de US$ 43 bilhões ainda não foram alocados, informou a revista on-line chinesa anteriormente.

Esses temores ajudaram a derrubar as ações da Syngenta para o maior desconto em relação ao preço da oferta da ChemChina desde que a transação foi autorizada pelo órgão regulamentador de investimento estrangeiro dos EUA em agosto, de acordo com cálculos do Gadfly. Adicionar o balanço da Sinochem ao da ChemChina deve aumentar as chances de conclusão do financiamento.

Isso sugere mais um grupo de investidores que deve estar olhando de lado para a transação. As ações da Sinochem International negociadas em Xangai chegaram a subir 10 por cento na sexta-feira, sem dúvida com a ajuda da perspectiva de que a empresa terá direitos sobre um empreendimento muito maior (a fusão também reduziria a concorrência e daria suporte aos preços).

Mas as reformas das estatais chinesas nem sempre funcionaram tão bem para os investidores, e, neste caso, acionistas comuns estão sendo reunidos em um grupo que aparentemente precisa de uma injeção de dinheiro para finalizar sua grande transação europeia. Eles não devem se surpreender se a Sinochem acabar pedindo a ajuda deles para contribuir.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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