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Deutsche Bank estuda reduzir operações nos EUA, afirmam fontes

Jan-Henrik Förster e Aaron Kirchfeld

(Bloomberg) -- O Deutsche Bank, maior banco alemão, estuda reduzir as operações nos EUA porque o acúmulo de despesas jurídicas ameaça sua situação de capital, informaram duas pessoas com conhecimento do assunto.

A opção está sendo considerada como parte da ampla revisão estratégica do banco, que avalia cada divisão no contexto de exigências regulatórias e de capital, segundo essas pessoas, que pediram anonimato porque as conversas têm caráter privado.

O comitê supervisor do banco sediado em Frankfurt discutiu a operação nos EUA em uma reunião recente e o tema também surgiu em conversas com autoridades dos EUA, disse uma das fontes.

No mês passado, o Deutsche Bank informou que o Departamento de Justiça dos EUA pediu US$ 14 bilhões para encerrar uma investigação envolvendo instrumentos lastreados em hipotecas residenciais. O montante informado levou à queda das ações e aumentou as preocupações dos investidores quanto à força financeira da instituição. No fim de junho, o banco havia separado 5,5 bilhões de euros (US$ 6 bilhões) para litígios.

O presidente John Cryan, que vem eliminando empregos para baixar custos, afirmou que não planeja levantar capital e que espera que as autoridades americanas reduzam a quantia exigida inicialmente.

"Eles podem manter uma operação pequena nos EUA basicamente para atender a clientes alemães e europeus", disse Davide Serra, fundador da Algebris Investments, à Rádio Bloomberg na segunda-feira. "Eles não precisam de uma operação para os clientes dos EUA. Provavelmente precisam de menos da metade das pessoas que têm atualmente."

Recuo nos EUA

O jornal Sueddeutsche Zeitung, que noticiou um possível recuo das atividades nos EUA na sexta-feira, relatou que uma pessoa não identificada e próxima do banco disse que tal decisão é mais provável do que a venda do negócio de gestão de ativos. Um porta-voz do Deutsche Bank preferiu não comentar.

A redução das operações nos EUA afetaria principalmente a área de banco de investimento por causa do capital exigido, segundo uma das pessoas. Ainda não foram tomadas decisões definitivas e as discussões em relação ao negócio nos EUA continuam, de acordo com as fontes.

A publicação Die Welt am Sonntag noticiou no fim de semana que o Deutsche Bank poderá ser forçado a reduzir as atividades no país como parte do acordo com o Departamento de Justiça dos EUA. Segundo um dos entrevistados, as negociações com as autoridades americanas podem envolver este tema, mas esta ordem não foi dada por enquanto.

'Carteira de receita'

Segundo as exigências regulatórias dos EUA, o Deutsche Bank precisa dedicar determinada quantia para financiamento das atividades no país. Uma redução seria uma forma de diminuir as necessidades de capital da instituição caso o acordo com o Departamento de Justiça supere o montante que o banco separou para disputas jurídicas.

Essa medida enfraqueceria a posição da instituição em um dos mercados mais lucrativos para as atividades de banco de investimento. O Deutsche Bank tinha 10.842 funcionários na América do Norte no final de 2015, ou cerca de 10% das 101.104 pessoas que emprega no mundo todo.

"Nós questionaríamos qualquer decisão de reduzir as operações nos EUA se provavelmente impactar no longo prazo o negócio de banco de investimento, uma vez que os EUA representam cerca de 50% da carteira de receita global", escreveu em relatório na segunda-feira Kian Abouhossein, analista do JPMorgan Chase que tem recomendação neutra para as ações.

"De modo geral, acreditamos que o Deutsche Bank precisa cortar custos, considerando a baixa eficiência dos custos, mas não mudar novamente a estratégia."

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