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Uber opera em cidade de 5.914 habitantes sem transporte no Japão

Yuji Nakamura e Masatsugu Horie

(Bloomberg) -- Em uma pequena vila litorânea no Mar do Japão, o Uber está empregando uma estratégia incomum.

A idade média dos passageiros do Uber em Tangocho, de 5.914 habitantes, é de pelo menos 70 anos. E o que é ainda mais estranho é que a maioria desses clientes idosos não possui smartphone, por isso precisa ligar para alguém que tenha um aparelho para reservar uma corrida. Este não é o mercado alvo típico da empresa. Vá a qualquer cidade grande do mundo com jovens grudados em celulares e haverá grandes chances de o Uber estar lá.

O Uber está encontrando um sucesso modesto nessa vila, antes conhecida por fornecer tecido aos costureiros de quimonos da antiga capital, Kyoto, a três horas de distância de ônibus. Décadas de encolhimento populacional deixaram Tangocho com habitantes majoritariamente mais velhos. Existe apenas uma linha de ônibus, que abre caminho pelas montanhas a cada hora, tornando mais difícil para os moradores fazer compras e cuidar de tarefas básicas.

Tangocho é um dos dois únicos lugares no Japão nos quais o aplicativo do Uber pode ser usado para reservar uma corrida com um motorista de meio período. No restante do Japão, apenas motoristas licenciados em carros pretos ou táxis têm permissão para transportar passageiros, o que deixa o Uber com uma operação minúscula em Tóquio se comparada a São Francisco, Londres ou Cidade do México - apesar de a capital do Japão ser o maior mercado de táxis do mundo.

O Uber está surpreendendo nestes últimos tempos. Desde que a startup com sede em São Francisco saiu do papel em 2009, o determinado CEO Travis Kalanick raramente se retirou de uma briga e sempre bateu de frente com franquias de táxis, concorrentes e governos locais. E então, em agosto, o Uber cedeu a China à Didi Chuxing, sua maior rival no país, após perder mais de US$ 2 bilhões em dois anos. Kalanick também começou a destinar recursos à transformação do serviço de entrega de alimentos UberEats em uma nova e importante fonte de receita em todo o mundo.

Até o momento, Kalanick está dando a Masami Takahashi, presidente do Uber no Japão, liberdade para buscar crescimento fora dos grandes centros metropolitanos, que representam o grosso dos serviços de táxi e carros do arquipélago. Se tiver sucesso, Tangocho poderia virar modelo para a conquista de novos lugares no interior do país, dando ao Uber impulso suficiente para ir em busca do maior prêmio: o mercado de táxis do Japão, de 1,73 trilhão de ienes (US$ 17 bilhões).

"O transporte é um problema premente e interminável para quem mora em áreas despovoadas", disse Ken Miyao, analista da empresa de pesquisa de mercado Carnorama, com sede em Tóquio. "Se o Uber realmente for capaz de ajudar as pessoas que vivem em áreas rurais, a longo prazo isso ajudará a flexibilizar bastante as regulações e poderá ajudar a empresa a lançar um serviço apropriado de carona compartilhada em grandes cidades como Tóquio."

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