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Fed pode subir juros caso novo presidente defenda impacto fiscal

Rich Miller

(Bloomberg) -- O Federal Reserve (Fed) está mais disposto a elevar as taxas de juros caso o próximo presidente dos EUA defenda uma política fiscal mais expansiva.

Autoridades do Fed dizem que receberiam bem essa medida porque ela aliviaria uma parte da responsabilidade do banco central em dar suporte a economia. Mas sugerem que compensariam a demanda extra gerada por um déficit orçamentário maior com uma política monetária menos estimulante.

A razão: a economia já está operando perto da sua capacidade máxima, por isso ela não precisa de mais estímulo no momento.

"Tendo uma política fiscal mais expansionista, não precisamos de uma política monetária tão expansionista", disse Eric Rosengren, presidente do Fed de Boston, em entrevista em 15 de outubro.

Esse tipo de transferência da política monetária para a fiscal poderia ser um problema para mercados financeiros que "foram sedados e seduzidos pela perspectiva de ter juros baixos por mais tempo", disse Joachim Fels, assessor econômico global da Pacific Investment Management.

Promessas

Tanto Hillary Clinton quanto Donald Trump disseram que pressionariam por um aumento do gasto público em infraestrutura se forem eleitos no mês que vem. A democrata Hillary também propôs um conjunto de programas de gastos, entre eles um aumento da ajuda para universitários, e o republicano Trump sugeriu um amplo plano de reduções de impostos.

O estímulo fiscal extra resultante poderia chegar a cerca de US$ 100 bilhões por ano, equivalente a cerca de 0,5 por cento do PIB, segundo os economistas David Mericle e Alec Phillips, do Goldman Sachs Group.

Tal impulso poderia fazer o Fed aumentar as taxas uma ou duas vezes mais do que em outro caso, escreveram eles em uma nota para clientes no mês passado.

Essa estimativa se assemelha aos cálculos feitos pelo vice-presidente do Fed, Stanley Fischer, em discurso pronunciado em 17 de outubro em Nova York.

Impulso ao PIB

Fischer disse que um aumento do gasto público equivalente a 1 por cento do PIB elevaria as taxas de equilíbrio em cerca de 50 pontos-base, segundo o modelo computadorizado da economia feito pelo Fed. Uma redução de impostos dessa magnitude aumentaria em 40 pontos-base a chamada taxa neutra.

Pesquisas feitas pelo presidente do Fed de São Francisco, John Williams, e por Thomas Laubach, economista do banco central, fixam a taxa neutra atual - nível que não estimula nem desacelera o crescimento - em pouco mais de zero por cento, após levar em conta a inflação.

Mantendo as taxas abaixo desse patamar - a inflação subjacente agora é de cerca de 1,7 por cento e a atual faixa alvo para os juros do Fed é de 0,25 por cento a 0,5 por cento - o banco central tem o que Fischer descreveu como uma política monetária "modestamente acomodatícia".

Havendo ou não flexibilização da política fiscal, as autoridades já pretendem aumentar gradualmente as taxas de juros nos próximos anos, começando com um aumento de um quarto de ponto percentual no fim de 2016, segundo projeções publicadas pelo Fed em 21 de setembro.

"Os mercados estão precificando um ambiente de juros mais baixos por mais tempo", disse Fels, da Pimco. "Tudo o que for contrário a isso poderia provocar uma forte alta nos rendimentos de títulos e uma acentuação da curva de rendimentos, e poderia acabar com a calma inquietante do mercado de ativos de risco".

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