Futuro dos carros está em Detroit, diz Bill Ford

Keith Naughton, Alex Webb e Mark Bergen

(Bloomberg) -- Bill Ford está cansado de ouvir falar que o futuro dos carros pertence ao Vale do Silício. Há anos fãs da Apple e do Google dizem a ele que apenas as grandes empresas de tecnologia são capazes de produzir veículos autônomos.

"Existia essa suposição de que éramos estúpidos demais para conseguir", disse o presidente executivo do conselho da Ford Motor e bisneto do pioneiro dos carros, Henry Ford. "A conversa realmente mudou."

Ele não está brincando. As gigantes da tecnologia Apple e Google (pertencente à Alphabet), que antes pretendiam revolucionar, se não destruir Detroit, chegaram à conclusão agora de que não querem fabricar carros. Claro, elas ainda garantem que fornecerão o software autônomo que moverá os veículos robóticos, mas admitir que não estão à altura da complexa tarefa de produzir em massa inclina a balança do poder para o lado das fabricantes de veículos tradicionais.

A produção de veículos é um grande empreendimento e o processo altamente desenvolvido. As companhias automotivas também integram milhões de linhas de código que controlam tudo, do rádio aos sensores de radar, que em breve permitirão a direção com mãos livres. Detroit também possui uma profunda experiência de gerenciamento da longa rede de abastecimento que fornece cerca de 30.000 peças.

Toda essa complexidade é "algo que muitas empresas de TI que estão entrando no negócio perceberam da pior maneira", disse James Kuffner, ex-diretor do Google Robotics e atualmente diretor de tecnologia do Toyota Research Institute. "Apesar do que um capitalista de risco diz, fabricar carros é difícil."

O cofundador do Google Larry Page chegou a essa conclusão ao confidenciar, em uma conversa particular no início do ano, que estava decepcionado com o ritmo lento do projeto de carros autônomos da companhia, segundo uma pessoa familiarizada com o encontro. Apesar de o Google ter iniciado seus esforços de direção autônoma muito antes das demais empresas de tecnologia, seu projeto foi assolado por incertezas em torno do modelo de negócios e pela saída de executivos. Johnny Luu, porta-voz do Google, negou que Page esteja decepcionado com o ritmo do projeto.

As fabricantes de veículos, por sua vez, estão injetando bilhões no desenvolvimento de seus próprios sistemas autônomos. Elas já estão instalando recursos semiautônomos, como freios automáticos e tecnologia para manter o carro na pista. E estão elaborando modelos capazes de suportar a enorme carga de trabalho projetada para os táxis robóticos, que provavelmente acumularão 210.000 quilômetros rodados por ano -- 10 vezes o total de hoje -- funcionando 18 horas por dia, 365 dias por ano. Os carros robô serão substituídos com frequência e vendidos em grandes números, por isso oferecerão um grande retorno para as fabricantes que descobrirem a fórmula.

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