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Jovens dos EUA usam crowdfunding para reduzir dívida educacional

Zara Kessler

(Bloomberg) -- Pauline Muturi se mudou do Quênia para os EUA quando tinha dois anos de idade. Agora com 21, ela está no último ano da graduação da Universidade Estadual da Flórida, é a primeira estudante universitária de sua família e pretende trabalhar em pediatria. Ela tem dois empregos e mesmo assim não conseguiu realizar o pagamento das mensalidades no prazo.

"Houve momentos em que minha ansiedade era tão grande que eu não conseguia dormir, porque eu tinha que trabalhar um turno e tinha prova no mesmo dia. Era realmente insuportável", disse Muturi. Mas ela acredita na formação acadêmica. "Meu diploma é a única coisa que pode fazer com que eu seja algo, com que eu seja alguém", disse ela.

No início deste mês, ela ganhou US$ 10 mil.

Muturi está entre os 10 vencedores de um concurso realizado em setembro pela plataforma de captação de recursos GoFundMe a fim de ajudar a pagar as despesas da educação superior.

As histórias desses estudantes incluem participações em gangues, outros estiveram desabrigados, tiveram filhos sozinhos ou enfrentaram a síndrome de Tourette. Um deles cresceu na ilha de Guam e se interessa por arquitetura, outro é um jovem que passou parte da infância em uma reserva Navajo no Arizona e quer aprender a voar.

O custo da formação universitária se tornou inacessível para milhões de americanos, e quase US$ 1,3 trilhão em dívidas estudantis federais se repartem entre mais de 41 milhões de tomadores de empréstimos.

Muitos diplomados entram no mundo do trabalho carregados de dívidas. É nesse contexto altamente estressante que as pessoas estão buscando formas criativas de financiar parte do custo de seus estudos.

O SponsorChange ajuda as pessoas a ir pagando a dívida estudantil em troca de trabalho voluntário, e GiftofCollege.com oferece presentes para contas do plano de poupança para a faculdade ou de crédito estudantil.

O modelo de negócio varia de uma plataforma a outra. GoFundMe, que agora oferece uma garantia contra o uso indevido dos fundos arrecadados, subtrai taxas das doações. Mais de US$ 1,5 milhão por mês são doados a campanhas universitárias na plataforma, de acordo com a empresa.

O presidente Rob Solomon disse que o concurso foi um lembrete de que as pessoas podem usar o GoFundMe para outras coisas além de "pagar contas médicas ou quando acontece um desastre, como uma inundação ou um incêndio. Queremos que as pessoas saibam que podem usar esta plataforma para qualquer coisa sempre que surgir a necessidade".

Mas financiar coletivamente os estudos tem seus problemas. Não há garantia de que você receberá o dinheiro, e as mensalidades têm data de vencimento. "É um band-aid", disse Sara Goldrick-Rab, professora da Universidade Temple. "As pessoas estão recorrendo a isso porque não sabem mais o que fazer. Sem dúvida, esta não é uma forma expansível nem sustentável de financiar os estudos universitários."

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