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Alliar põe fim a período de 16 meses de seca de lançamento de ações na Bolsa no Brasil

Denyse Godoy e Cristiane Lucchesi

(Bloomberg) -- A rede de medicina diagnóstica Alliar Médicos à Frente aproveitou o renovado otimismo do mercado com a recuperação brasileira da recessão e encerrou um período de 16 meses sem ofertas públicas iniciais de ações no país.

A Alliar, conhecida formalmente como Centro de Imagem Diagnósticos, vendeu ações a R$ 20 em seu IPO, disse uma pessoa familiarizada com o assunto que pediu anonimato porque os resultados da operação ainda não são públicos.

O preço está dentro da faixa de R$ 19 a R$ 25 estimada em um prospecto da venda apresentado à Comissão de Valores Mobiliários brasileira. A empresa e seus acionistas levantaram R$ 767 milhões (US$ 244,2 milhões) com a venda de ações em oferta primária e secundária, segundo a fonte.

O IPO da Alliar é o primeiro desde que a FPC Par Corretora de Seguros vendeu ações em junho de 2015, antes do aprofundamento da crise econômica e política que levou ao impeachment da presidente Dilma Rousseff em agosto deste ano.

O Ibovespa avançou 86 por cento em 2016, o melhor desempenho do mundo, devido às apostas de que o novo presidente Michel Temer será capaz de consertar as finanças públicas do país e restabelecer o crescimento.

"Um IPO é a cereja do bolo na alta recente do mercado", disse Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da corretora Nova Futura em São Paulo. "Mostra que os investidores estão dispostos a fazer uma aposta de longo prazo em empresas locais, apesar do fato de que efetivamente nada mudou na economia ainda. A porta está aberta para mais vendas."

Fundada em 2011, a Alliar se expandiu por meio da aquisição de laboratórios menores em 10 dos 26 estados brasileiros, de acordo com o folheto da oferta. Parte do arrecadado com o IPO pode ser empregado em mais aquisições, informou a empresa no documento.

A companhia reportou cerca de R$ 700 milhões em vendas em 2015, no que seria o terceiro maior volume entre as provedoras de serviços médicos de capital aberto, atrás do Fleury e da Diagnósticos da América, mostram dados compilados pela Bloomberg.

O setor disparou neste ano devido à especulação de que estará entre os primeiros a se recuperar com a melhora no ambiente empresarial no Brasil, que deve estimular as empresas a contratar mais funcionários e os consumidores a buscar serviços de saúde particulares. O Fleury mais do que dobrou de valor neste ano e está sendo negociado a 3,5 vezes seus ativos, perto do patamar mais caro já registrado. A Dasa, que avançou 91 por cento em 2016, está sendo negociada com uma relação entre o preço e o valor patrimonial de 2,1.

O Brasil, que já foi o segundo maior mercado emergente para IPOs, viu pouco mais de US$ 7 bilhões em vendas de ações já existentes e um único IPO em 2015, o menor volume em uma década e uma queda de 92 por cento em relação ao auge do mercado registrado em 2010, mostram dados compilados pela Bloomberg.

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