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Califórnia pode liderar fim da proibição à maconha nos EUA

Alison Vekshin

(Bloomberg) -- No mês que vem, eleitores de cinco estados dos EUA, incluindo a Califórnia, o termômetro nacional, podem ampliar o uso legal e recreativo da maconha a quase um quarto da população americana, uma decisão que pode ser uma das mudanças mais significativas na política de drogas dos EUA desde os anos 1930.

A aprovação na Califórnia, onde as pesquisas mostram que existe um amplo apoio, legalizaria a maconha em toda a costa oeste americana e daria impulso às iniciativas para eliminar a proibição em todo o país.

O estado, que é o mais populoso dos EUA, com 39 milhões de habitantes, foi o primeiro a liberar o uso medicinal da maconha, há duas décadas. Ao todo, no dia 8 de novembro nove estados votarão propostas sobre a maconha, o que poderia mais do que dobrar até 2020 o mercado de US$ 7 bilhões de produtos relacionados à maconha.

"Se for aprovada na Califórnia, e especialmente se for aprovada nos outros quatro estados, acabou-se o tempo da proibição da maconha", disse Troy Dayton, presidente da The Arcview Group, firma com sede em Oakland, cujos 550 membros investidores injetaram US$ 85 milhões em 131 empresas de cannabis.

As posições sobre a legalização da maconha nos EUA podem ter chegado a um ponto de inflexão. Pesquisas de opinião mostram que a maioria dos americanos é a favor. É uma mudança drástica em relação às últimas décadas -- em parte, resultado de uma nova geração que chega à maioridade eleitoral e do fato de que quase metade da população adulta já experimentou a maconha.

Políticas malsucedidas de combate às drogas, que prendem usuários não violentos, e a crescente evidência de que a maconha é menos prejudicial que o cigarro e o álcool estimularam campanhas por uma mudança.

Grupos médicos e autoridades policiais estão entre os que se opõem à legalização, citando o aumento no número de mortes no trânsito relacionadas ao consumo de maconha e o uso por menores nos estados onde ela está liberada, como o Colorado, onde o número de pontos de venda é maior do que o de cafeterias Starbucks.

Mesmo que em 2009 o Departamento de Justiça do presidente Barack Obama tenha pedido aos promotores federais que não processassem criminalmente pessoas que usassem ou fornecessem a droga para fins medicinais nos estados onde ela está legalizada, a maconha continua sendo considerada uma substância controlada pelas leis federais.

Os estados do Colorado e Washington abriram caminho para a legalização em 2012 e Oregon e Alaska seguiram o exemplo em 2014. Também haverá votação nos estados de Massachusetts, Maine, Arizona e Nevada, onde fica Las Vegas, que atrai mais de 41 milhões de turistas por ano. Metade dos estados dos EUA autoriza o uso medicinal da maconha e outros três, inclusive a Flórida, estão procurando somar-se a esse grupo.

Os californianos rejeitaram a legalização da maconha para uso recreativo duas vezes, em 1972 e 2010. Desta vez o apoio é maior e cerca de 60 por cento dos prováveis eleitores afirmaram que votarão a favor, em comparação com 50% há seis anos, de acordo com uma pesquisa realizada em setembro pela Field Poll.

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