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Ferida do Brexit intimida titãs de Wall Street antes da eleição

Anna-Louise Jackson

(Bloomberg) -- Ter opinião não custa nada. Apostar nessas opiniões tem preço. Embora as chances de vitória de Hillary Clinton na disputa pela Casa Branca sejam de 3 para 1, os gestores de recursos preferiram não entrar em posições agressivas na reta final da eleição desta terça-feira.

A BMO Global Management, de Chicago, fez ajustes de natureza defensiva em um fundo de ações de empresas de grande mercado com US$ 10 bilhões. David Donabedian, que ajuda a supervisionar US$ 27 bilhões na Atlantic Trust Private Wealth Management, não achou necessário fazer ajustes nem alterou suas alocações.

Com memórias frescas do Brexit, Chris Zaccarelli, da Cornerstone Financial Partners, comprou uma opção de venda ampla para proteger sua carteira de US$ 1 bilhão.

Para investidores pegos de surpresa pela queda dos mercados após a decisão do eleitorado do Reino Unido de sair da União Europeia, as últimas semanas não foram ocasião propícia para mergulhar de cabeça nas bolsas dos EUA. Eles mantiveram o dinheiro embaixo do colchão mesmo com muitos websites de apostas apontando chance acima de 70 por cento de vitória para Hillary.

"Havia um pouco de confiança exagerada nos mercados e isso me lembrou muito o Brexit", disse Zaccarelli, diretor de investimentos da Cornerstone Financial Partners, que supervisiona mais de US$ 1 bilhão em Huntersville, na Carolina do Norte. Ele comprou uma opção ampla de venda que vence neste mês. "Parecia prudente comprar um pouco de proteção enquanto era barato, por via das dúvidas."

Se a disparada das bolsas dos EUA na segunda-feira for indicativa, a vitória de Hillary desencadearia decisões de gestores de recursos com dinheiro parado. Segundo algumas métricas, a quantia em dinheiro parado é a maior em 15 anos.

O S&P 500 registrou a maior alta em quase sete meses, recuperando quase US$ 500 bilhões em valor de mercado após nove dias de queda. As bolsas se mostraram sensíveis às perspectivas da candidata democrata, subindo com seu excelente desempenho no primeiro debate e derrapando após o FBI anunciar, em 28 de outubro, que e-mails dela ainda eram assunto relevante.

'Emocional ao quadrado'

Houve uma corrida por posições defensivas em outros mercados, após a movimentação da semana passada romper a calmaria que prevaleceu por três meses. O CBOE Volatility Index (VIX) registrou sua mais longa sequência de altas e os investidores sacaram US$ 3 bilhões de um fundo negociado em bolsa (ETF) atrelado ao S&P 500.

O gestor de fundos de hedge Dan Loeb afirmou, na sexta-feira, que está reduzindo posições de risco por medo de os mercados ficarem abalados por um resultado surpreendente nas urnas.

"Eleições são eventos emocionais e investir é um processo emocional", disse Jeffrey Kleintop, estrategista global de investimentos da Charles Schwab. "Isso aqui é emocional ao quadrado."

Mesmo após o avanço da segunda-feira, o S&P 500 acumula queda de 1,5% nas últimas duas semanas, diante do estreitamento da diferença nas intenções de voto para Hillary e Donald Trump. O VIX, que mede o grau de medo nos mercados, desabou 17% na segunda-feira, mas ainda está 16% acima de sua média em um ano

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