Desigualdade salarial também atinge bissexuais nos EUA

Rebecca Greenfield

(Bloomberg) -- Há tempos se sabe que os grupos que enfrentam discriminação fora do ambiente de trabalho -- mulheres, homens gays, negros e latinos -- tendem a ganhar menos.

Agora, há evidências de que também existe uma desigualdade salarial entre os bissexuais, segundo as conclusões de um novo estudo da American Sociological Review. E diferentemente das outras disparidades, que podem ser explicadas em parte por fatores como o número menor de horas de trabalho e o fato de ter ou não filhos, esta não é tão fácil de entender.

Baseado em duas amostras representativas de mais de 10 mil pessoas, o estudo descobriu uma diferença salarial de 7% a 28% entre mulheres bissexuais e de 11% a 19% entre homens bissexuais, quando comparados aos salários de seus pares heterossexuais.

"As conclusões sugerem discriminação", disse o autor do estudo, Trenton D. Mize, doutorando pela Universidade de Indiana, nos EUA. "Eu considerei todas as explicações razoáveis pelas quais poderíamos ter essa desigualdade."

Estudos anteriores identificaram desigualdades salariais para homens gays. Alguns estudos colocam essa disparidade em 5 por cento, outros em 10 por cento. Estudos similares apontaram que as lésbicas, por outro lado, ganham mais do que as mulheres heterossexuais.

Assim como a desigualdade salarial por gênero, essas discrepâncias não se devem unicamente à discriminação. A escolha da carreira é um exemplo. Trabalhadores gays têm o dobro de probabilidade dos heterossexuais de possuírem diplomas universitários e, portanto, estão representados de forma desproporcional entre as 15 profissões com maiores salários. Mas dentro do universo dos empregos com altos salários, eles recebem menos.

Um estudo apontou que pessoas homossexuais escolhem profissões "atípicas para seu gênero". Como os campos dominados por mulheres tendem a pagar menos, isso pode ajudar a responder por que os homens gays ganham menos. O oposto também é verdadeiro para as trabalhadoras lésbicas, que escolhem campos de trabalho "masculinos", portanto mais bem pagos.

As escolhas sobre paternidade ou maternidade são um fator ainda maior. O "bônus paternidade" aumenta o salário dos homens em mais de 6 por cento quando eles têm um filho, mostrou uma pesquisa. Os homens gays têm menos probabilidade de terem filhos, por isso um número menor deles recebe o bônus.

As mulheres lésbicas são afetadas de forma semelhante. A "penalidade da maternidade" custa às mulheres 4% de seus salários para cada filho que elas têm, apontou a mesma pesquisa. Considerando que as mulheres lésbicas têm menor probabilidade de terem filhos, elas não necessariamente enfrentam a mesma penalidade da maternidade encarada pelas mulheres heterossexuais com família.

Em sua pesquisa, Mize descobriu que os bônus e penalidades respondem pela maior parte da desigualdade salarial entre os gays. "Após incluir os efeitos da maternidade e do casamento no modelo -- preditores altamente significativos dos salários --, a desigualdade salarial entre mulheres lésbicas e heterossexuais se torna insignificante", disse. Ele descobriu o mesmo para os homens gays: quando contabilizada a paternidade, a diferença desaparece.

Mas isso não vale para os trabalhadores bissexuais. "Eu descobri que o casamento e a paternidade ou maternidade não ajudam muito a explicar as desigualdades salariais enfrentadas por homens e mulheres bissexuais", disse ele.

Mize afirma que isso deixa apenas uma explicação: estereótipo e discriminação. Em uma pesquisa anterior, ele descobriu que homens e mulheres bissexuais são vistos como mais imaturos e desonestos e menos capazes e competentes do que pessoas heterossexuais ou gays.

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