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Wal-Mart testa blockchain para melhorar segurança alimentar

Olga Kharif

(Bloomberg) -- Se você faz compras no Wal-Mart, talvez você esteja comprando um produto com uma embalagem diferente de qualquer outra vendida em alguma loja dos EUA.

Maçãs fatiadas ou brócolis cortados - a empresa não quis dizer exatamente quais produtos - estão sendo utilizados para testar o blockchain, uma nova tecnologia de banco de dados. Se for bem-sucedido, o teste poderia modificar a maneira como o Wal-Mart Stores, que atende cerca de 260 milhões de clientes por semana, monitora alimentos e toma providências quando algo sai errado. Isso poderia gerar grandes avanços em segurança alimentar, reduzir custos e salvar vidas.

Como a maioria dos comerciantes, a maior varejista do mundo tem problemas para identificar e retirar alimentos em recall. Quando um cliente adoece, o Wal-Mart pode demorar dias para identificar o produto, a remessa e o vendedor. Com o blockchain, o Wal-Mart poderá obter dados cruciais, como fornecedores, detalhes sobre como e onde o alimento foi cultivado e quem o inspecionou, em um único recibo. O banco de dados estende as informações da prateleira para cada pacote.

"Isso lhes dá a possibilidade de fazer uma contabilidade da origem até a finalização", disse Marshal Cohen, analista da empresa de pesquisa NPD Group. "Se houver um problema com um surto de E. coli, com isso eles podem descobrir imediatamente de onde ele veio. Essa é a diferença entre dias e minutos."

Surtos

Mais de 1.000 surtos causados por alimentos são informados e investigados pelos departamentos locais e estaduais de saúde dos EUA todos os anos, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças do país (CDC, na sigla em inglês). Os CDCs estimam que aproximadamente 48 milhões de pessoas são afetadas anualmente, com 128.000 hospitalizações e 3.000 mortes. A Chipotle Mexican Grill sofreu um ano de queda nas vendas por causa de vários surtos.

Em outubro, o Wal-Mart começou a rastrear dois produtos com o blockchain: um produto embalado nos EUA e carne de porco na China. Embora apenas dois produtos tenham sido incluídos, o teste envolveu milhares de pacotes enviados para várias lojas.

O Wal-Mart já foi vanguarda na adoção de novas tecnologias. A empresa começou a instalar leitores de cartões com chip em seus caixas nos EUA 10 anos antes do prazo exigido por redes de cartões de crédito como a Visa e a Mastercard. No terceiro trimestre deste ano, a companhia implementou o Walmart Pay em todo o país e se transformou em um dos primeiros varejistas de grande tamanho a lançar seu próprio serviço de pagamentos por dispositivos móveis. Ele também expandirá seu serviço de entrega de compras on-line.

Colaboração

O Wal-Mart está utilizando tecnologia de blockchain desenvolvida em parceria com a IBM. Em outubro, a empresa inaugurou o Walmart Food Safety Collaboration Center em Pequim e anunciou uma parceria com a IBM e a Tsinghua University para melhorar a maneira como os alimentos são rastreados, transportados e vendidos aos consumidores chineses. Se o Wal-Mart adotar o blockchain para rastrear alimentos no mundo inteiro, isso poderia se transformar em uma das maiores implementações da tecnologia até agora.

"Eles estão definindo os novos padrões em termos de como a tecnologia pode ser implementada para resolver um problema que existe há muito tempo", disse Paul Chang, especialista em cadeia global de suprimentos da IBM.

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