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China transforma vizinhos investindo em ferrovias e eletricidade

David Roman

(Bloomberg) -- O investimento da China está transformando como nunca seus vizinhos menores do Sudeste Asiático e ajudando o Camboja, Laos e Myanmar a se tornarem destinos mais importantes para suas exportações.

A mudança está impulsionando algumas das taxas de crescimento econômico mais rápidas do mundo e oferecendo alternativas de baixo custo às companhias chinesas no momento em que buscam transferir capacidade para fora do país. Isso está ajudando a maior economia da Ásia e os países dentro de sua órbita a se adaptarem a uma nova era que aparenta cada vez mais trazer um compromisso menor dos EUA com a região a partir do governo do presidente americano eleito, Donald Trump, voltado mais para o próprio país norte-americano.

"A China definitivamente está olhando para esses países em geral como uma área para vender produtos e obter bons retornos para seus investimentos", disse Edward Lee, economista do Standard Chartered em Cingapura. "A China em si está ficando mais cara para suas empresas e isso está reforçando essa tendência."

A China está investindo em tudo, de ferrovias a imóveis, no Camboja, no Laos e em Myanmar -- as economias que são mercados de fronteira da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean).

A China Minsheng Investment Group e a LYP Group, liderada pelo senador Ly Yong Phat, assinaram um acordo de US$ 1,5 bilhão na semana passada para construir uma cidade de 2.000 hectares perto da capital do Camboja, Phnom Penh, com centro de convenções, hotéis, campo de golfe e parques de diversões, informou a agência oficial de notícias chinesa, a Xinhua. O investimento equivale a um décimo do produto interno bruto do país, de US$ 15,9 bilhões.

Rota da Seda

No Laos, que não tem saída para o mar, o trabalho começou no ano passado na ferrovia China-Laos, que se estenderá por 414 quilômetros da fronteira até a capital, Vientiane. O projeto, que faz parte da iniciativa One Belt, One Road (OBOR), do presidente chinês, Xi Jinping, custará US$ 5,4 bilhões, segundo a Xinhua. Xi se reuniu na semana passada em Pequim com o primeiro-ministro do Laos, Thongloun Sisoulith, e prometeu laços mais fortes.

Myanmar, que está liberalizando sua economia e adotando reformas de mercado após a transição à democracia, deverá crescer 8,1 por cento neste ano, segundo projeção do Fundo Monetário Internacional, ritmo mais rápido do mundo depois do Iraque. O líder de facto Aung San Suu Kyi rapidamente entrou em contato com a China desde que tomou posse, neste ano, o que incluiu uma visita a Xi em Pequim. A China é a maior parceira comercial do país, respondendo por cerca de 40 por cento do comércio exterior total de Myanmar no ano passado, e está construindo uma zona econômica especial, uma usina de energia e um porto marítimo de águas profundas na costa oeste.

A economia do Camboja deverá crescer 7 por cento neste ano, enquanto a do Laos deverá expandir-se 7,5 por cento. A moeda de Myanmar, o kyat, registrou o melhor desempenho da Ásia nos cinco primeiros meses do ano, mas teve uma depreciação de cerca de 10 por cento em relação ao dólar desde junho devido à valorização da moeda americana.

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