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Transferências de empregos para fora dos EUA são suspensas

Mike Dorning, Thomas Black e Nacha Cattan

(Bloomberg) -- A ameaça do presidente eleito Donald Trump de retaliar companhias que tiram empregos dos EUA já está surtindo o efeito que ele provavelmente almejava: alguns executivos já estão paralisando planos de estabelecer unidades no exterior.

Segundo Ross Baldwin, comandante da Tacna, empresa de San Diego que ajuda empresas americanas a montar operações de manufatura no México, três novos clientes suspenderam planos até saberem o que Trump fará na presidência.

No caso da McAllen Economic Development, que ajuda companhias do Texas a se expandirem do outro lado da fronteira, duas das cinco companhias que avaliavam a medida paralisaram os planos por causa dele, disse o presidente Keith Partridge.

No Twitter, Trump prometeu que empresas que tirarem empregos dos EUA enfrentarão "consequências" no governo dele. A ameaça introduziu um risco novo e difícil de medir para negócios que estudam mover operações para o exterior para reduzir custos.

O interesse do presidente eleito pela causa foi salientado em 1º de dezembro, durante a comemoração de um acordo com a unidade Carrier, da United Technologies, para manter cerca de 800 empregos de uma fábrica em Indianapolis, no Estado de Indiana, em vez de transferir os postos para o México.

"O que eles fizeram em Indiana foi deixar claro para todo membro de Conselho de Administração nos EUA que existe um perigo claro e presente na terceirização", disse Jim Courtovich, sócio administrativo da consultoria de relações públicas Sphere Consulting, de Washington, relatando que já foi contatado por executivos preocupados.

A fabricante de aparelhos auditivos GN Store Nord estudou a transferência de parte da produção de Minnesota para o México neste ano, mas suspendeu o plano por causa da retórica da campanha eleitoral, informou uma pessoa a par da decisão. A GN quer explorar os incentivos para manter a produção em Minnesota e saber se haverá penalidades para negócios que relocarem empregos para outros países, disse outra fonte, que também pediu anonimato porque as discussões são privadas.

A GN não faz comentários sobre deliberações internas e "não tem qualquer plano" de transferir a produção que está em Minnesota, afirmou por e-mail o presidente Anders Hedegaard. "Nós recentemente consolidamos nossa produção nos EUA em Minneapolis, onde investimos pesadamente e aumentamos o quadro de pessoal. Estamos muito satisfeitos com a localização."

Poder de Trump

Importantes parlamentares republicanos indicaram descontentamento com a proposta de Trump de impor uma tarifa de 35% a empresas que transferirem vagas para fora dos EUA e depois exportarem seus produtos para o país. No entanto, como presidente, ele terá diversas outras maneiras de conseguir o que deseja, incluindo ameaças verbais.

Algumas empresas estão dando seguimento a planos de transferência de postos de trabalho. A Rexnord pretende transferir para o México cerca de 300 empregos de uma fábrica de rolamentos localizada a menos de dois quilômetros da planta da Carrier visitada por Trump.

Ele atacou a Rexnord via Twitter, acusando a companhia de "demitir muito maldosamente" os trabalhadores americanos. A Rexnord não retornou solicitações de comentário sobre a frase de Trump e sobre os planos para sua fábrica em Indiana.

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