Bolsas

Câmbio

Entenda por que alta do bitcoin esmagou demais moedas em 2016

Olga Kharif

  • Jim Urquhart/Reuters

(Bloomberg) -- O Bitcoin, a nebulosa moeda digital que é negociada no espaço cibernético e "minerada" por computadores que decifram códigos, surgiu neste ano como uma aposta melhor do que todas as grandes transações de câmbio, índices de ações e contratos de commodities.

A moeda eletrônica que é negociada e regulada como o petróleo e o ouro subiu 79% desde o início de 2016, para US$ 778, seu nível mais alto desde o início de 2014, mostram dados compilados pela agência de notícias Bloomberg. A alta representa quatro vezes os ganhos registrados pelo rublo e pelo real. As moedas da Rússia e do Brasil registram o melhor desempenho no mundo no período.

Após a criação do bitcoin, em 2008, os entusiastas o saudaram como a próxima grande novidade dos mercados cambiais e como uma evolução monetária óbvia em um mundo cada vez mais digital. Mas em 2014 seu valor caiu 58% porque os governos reprimiram seu uso e uma grande Bolsa perdeu os recursos dos donos de algumas contas.

A lógica por trás dos altos e baixos do bitcoin pode ser difícil de precisar, mas separamos alguns fatores que podem ser os responsáveis pelo aumento estelar da moeda criptografada neste ano:

1. Controles de capital

Restrições globais a moedas soberanas estão tendo grande influência sobre o aumento da demanda pelo bitcoin. O governo chinês, por exemplo, dificultou a movimentação e o gasto da moeda do país no exterior, o que gerou liquidez represada. Isso tornou o bitcoin, que não é controlado por nenhum governo ou banco central, mais atraente.

2. Redução antecipada nas remessas

Políticas isolacionistas de alguns governos que restringem as remessas de dinheiro também estão empurrando os consumidores para o bitcoin. O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, disse durante sua campanha que limitaria ou impediria as remessas para o México até que o país latino-americano concordasse em pagar pela construção de um muro na fronteira entre os dois países.

3. Crescimento menor da oferta

A explosão do crescimento da oferta do bitcoin está perdendo força e os chamados mineiros estão recebendo menos moedas eletrônicas como contrapartida por permitirem que a rede utilize seu poder de computação. O pagamento aos proprietários dos computadores que verificam as transações de bitcoin e as registram em um livro-razão público conhecido como "blockchain" caiu pela metade em meados deste ano.

4. Aceitação maior

Mais consumidores estão usando bitcoins e mais companhias estão aceitando a moeda como forma de pagamento. O uso de bitcoins por investidores e consumidores virtuais está crescendo a um ritmo estável, com mais de 1,1 milhão de contas, conhecidas como carteiras, adicionadas no terceiro trimestre, total igual ao do segundo trimestre e comparável ao de 1,2 milhão do ano anterior, diz o site CoinDesk.

5. Combate à corrupção e guerra ao terror

Governos de todo o mundo estão ampliando os padrões das declarações de bens no exterior e destinando mais recursos para entender como e onde o dinheiro ilegal se movimenta. Isso está aumentando a demanda de pessoas que querem receber e enviar dinheiro sem supervisão.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Assine e receba em seu e-mail em dois boletins diários, as principais notícias do dia

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos