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Exploradoras do xisto dos EUA prometem investir menos em 2017

Alex Nussbaum

(Bloomberg) -- As empresas exploradoras de petróleo de xisto estão prontas para um novo confronto com a lei de oferta e demanda.

Prejudicadas por um ano que começou com o petróleo no menor patamar em 12 anos e terminou com preços mais altos após um acordo surpresa da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), produtoras dos EUA como Continental Resources e Pioneer Natural Resources estão prometendo não reagir, nem investir exageradamente.

A tentação será grande: a recuperação dos preços já elevou a atividade de perfuração nos EUA ao nível mais alto desde janeiro. Se o petróleo superar os US$ 70 por barril os EUA poderiam começar a bombear um milhão de barris extras por dia, compensando boa parte do corte planejado pela Opep, segundo análise do Citigroup.

Com o presidente eleito, Donald Trump, prometendo flexibilizar as regulações do setor e analistas prevendo lucros melhores em 2017, as empresas de perfuração do xisto se preparam para crescer.

"Existe uma preocupação real do setor de que podemos estar caminhando para um novo ajuste de preço se nos deixarmos levar pelo desenvolvimento", disse Harold Hamm, CEO da Continental, que tem sede em Oklahoma, EUA, em entrevista em Nova York. "O setor será disciplinado daqui para a frente."

Atualmente os EUA produzem 8,8 milhões de barris por dia, cerca de metade com o xisto. O petróleo West Texas Intermediate, referência do país, registrou média de quase US$ 52 desde o corte anunciado pela Opep no mês passado. Uma alta para US$ 60 poderia gerar um aumento de 500 mil barris na produção americana e um aumento para US$ 70, o dobro desse total, escreveu o Citigroup em um relatório, neste mês.

Apesar de dezenas de empresas de xisto e prestadoras de serviços nos campos de petróleo terem ido à falência após o colapso dos preços, os investidores recompensaram as sobreviventes que surgiram mais leves e eficientes. A Continental de Hamm, que possui a maior área líquida na região de Bakken Shale, em Dakota do Norte, EUA, mais do que dobrou de valor neste ano. Hamm, dono da maioria das ações da companhia, teve o terceiro maior ganho pessoal entre os bilionários em 2016.

Um índice da Bloomberg Intelligence com 57 empresas independentes de perfuração de petróleo e gás na América do Norte subiu 72 por cento neste ano e as ações registraram aumentos no ano, com exceção de 10 firmas.

Na média, os membros do índice deverão perder US$ 1,48 por ação em 2016, segundo estimativas dos analistas. O valor vai melhorar para um prejuízo médio de US$ 0,35 no ano que vem. As cinco maiores companhias deverão registrar lucro no ano cheio em 2017 em uma base por ação.

O fator que também está dando suporte ao fluxo de caixa é que as produtoras dos EUA vêm comprando contratos de hedging que fixam preços mais elevados em 2017, dando a elas uma flexibilidade financeira maior para crescer, disseram Vikas Dwivedi e Walt Chancellor, analistas da Macquarie Research, em relatório a clientes de 12 de dezembro.

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