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Por que a Arábia Saudita está liberando muito mais a diversão

Donna Abu-Nasr e Deema Almashabi

(Bloomberg) -- A música "Let me love you!", de Justin Bieber, ressoava de alto-falantes gigantescos para dar as boas-vindas ao público que chegava. Depois de acomodados, todos se emocionaram e riram com as peripécias de dois mágicos americanos antes de relaxarem para desfrutar de um pouco de ópera, mímica e dança.

Esta cena poderia ter acontecido em inúmeros espetáculos em um fim de semana qualquer em praticamente qualquer canto do mundo, pelo menos à primeira vista. Mas aconteceu na Arábia Saudita. Olhando mais de perto, todo o elenco era masculino, apenas homens e crianças puderam subir ao palco no final para tirar fotos e as atendentes mulheres trajavam mantos pretos da cabeça aos pés sob seus trajes fluorescentes.

"É uma experiência nova", disse Mohammed al-Mawla, 20, estudante universitário de Riad, enquanto a multidão se reunia na porta da tenda na Cidade Econômica Rei Abdullah onde o evento aconteceu. "Adoraríamos ter mais espetáculos desse tipo no reino."

Como parte de uma terapia de choque para revigorar a economia em queda, o governo está aliviando as regras que controlam a diversão nessa sociedade extremamente conservadora -- e também pretende ganhar algum dinheiro com isso. O reino dificilmente seria sinônimo de entretenimento: a polícia religiosa ordena que a música seja silenciada e os cidadãos costumam viajar para Dubai ou Bahrain quando desejam ir ao cinema ou a um show. Agora, o plano é transformar pessoas empolgadas em uma indústria.

Anmar Fathaldin, um saudita que administra o site de ingressos Lammt, mal pode esperar porque vai "ganhar mais dinheiro" e ter mais coisas para fazer com sua família. No entanto, ele acha que nem tudo vai mudar.

"Viajo para ter uma vida normal", disse Fathaldin, 28, cuja empresa se concentrou em shows de comédia ocasionais ou "entretenimento intelectual" em universidades. "Posso passear com minha esposa sem que ela precise se cobrir, podemos ir a shows de música ao vivo ou podemos ir à praia com nossos filhos. Isso não vai acontecer aqui."

Veículo econômico

As mudanças fazem parte do Vision 2030, um plano para uma economia depois do petróleo, imposto aos sauditas pelo vice-príncipe herdeiro do reino Mohammed bin Salman, o poderoso filho de 31 anos do rei. O plano abrange de tudo, desde os gastos públicos com subsídios ao papel das mulheres na força de trabalho, e a população está tentando entender como ele poderia funcionar.

Em relação à diversão, o plano estipula que até 2020 haverá mais de 450 clubes que oferecerão diversas atividades culturais e eventos. O objetivo é dobrar o gasto das famílias com lazer para 6 por cento -- mais que os 4 por cento que os americanos gastaram em entretenimento em 2015, segundo dados do Departamento de Trabalho dos EUA -- e gerar 100.000 empregos, disse Amr AlMadani, que administra a Autoridade Geral de Entretenimento, recentemente criada.

"Este é um veículo econômico", disse AlMadani, 36. O foco será as famílias e as "diretrizes são nossos valores islâmicos e culturais", disse ele.

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