Detroit aposta que consumidores americanos se cansarão de SUVs

Kyle Stock

(Bloomberg) -- Esta semana, o salão do automóvel em Detroit está cheio de carros. Não de veículos utilitários esportivos (SUVs, na sigla em inglês) de 2.720 quilos nem de picapes capazes de carregar uma espaçonave, mas dos velhos e corriqueiros sedãs e cupês -- girando no maior palco do setor como muitos bolos de baunilha entediantes.

Cerca de metade dos aproximadamente 20 modelos novos apresentados no Salão Internacional do Automóvel da América do Norte tinha suspensão baixa. Sim, esses carros comuns têm fibra de carbono e o atrativo da tecnologia autônoma, mas, em termos de formato e função, a inovação ronda 1980. Tem até um carro familiar sueco.

A Kia apresentou um luxuoso GT quatro portas chamado Stinger; a Mercedes exibiu uma versão cupê de seu Classe E; e a Toyota revelou um Camry cuidadosamente atualizado. A Porsche, sempre rápida, superou todos -- em outubro, ela despachou a versão renovada do Panamera, um sedã quatro portas, para ser exibida aos jornalistas em Nova York.

Considerando as recentes tendências de venda, esta queda pelos carros pequenos soa como um desastre estratégico. Afinal, a gasolina barata alimentou a febre dos SUVs que tomou conta dos EUA e que agora se espalha pelo mundo. Utilitários, caminhonetes e os chamados "crossover" representaram dois terços dos veículos comprados nos EUA no ano passado.

"Existe uma tendência clara às caminhonetes e não vemos nenhum motivo que indique que isso vai acabar", disse Ludwig Willisch, CEO da BMW North America.

O segredo

Os executivos do setor automotivo não são burros, apesar do que o Dieselgate e o Pontiac Aztek possam sugerir. Mas, em relação aos SUVs, eles sabem algo que a maioria das pessoas em uma concessionária não sabe: em grande parte, os motoristas compram as máquinas que as fabricantes de veículos querem que eles comprem.

Ultimamente, muitos dos modelos mais novos eram SUVs. Novos modelos ganham mais dinheiro, consomem os orçamentos de publicidade e ganham destaque nos salões. Em poucas palavras, o boom do SUV é, até certo ponto, criado pelas próprias fabricantes. "Sem dúvida, é uma questão parecida com a do ovo e da galinha", disse Drew Slaven, vice-presidente de marketing da Mercedes-Benz USA.

Contudo, nas trincheiras, as coisas estão começando a mudar. Recentemente, concessionários da Mercedes pediram para a empresa "tirar o pé do acelerador" no marketing de SUVs, disse Slaven. Nesta semana, menos de um terço dos veículos no stand da Mercedes em Detroit eram crossover ou utilitários.

De forma mais abrangente (e independentemente da geopolítica), os motoristas que querem se destacar vão acabar se afastando dos SUVs. Assim como quem comprou um Jeep na década de 1980 e um Ford Explorer nos anos 1990, às vezes o gosto simplesmente muda.

O presidente da Cadillac, Johan de Nysschen, disse que as preferências do consumidor sempre vão mudar. "Antes eles gostavam dos sedãs, depois dos carros familiares, depois passaram para as vans e depois para os crossover", explicou ele. "Agora estamos vendo crossover cada vez mais baixos". Ele acrescentou: "Se continuarmos por suficiente tempo, voltaremos aos modelos hatchbacks".

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