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Mitos e verdades sobre a presidência de Trump: Bloomberg View

Albert R Hunt "Al"

(Bloomberg) -- Aos democratas liberais e a alguns republicanos, uma mensagem: esqueçam. Donald J. Trump se tornará presidente dos Estados Unidos nesta semana. Aceitem.

Por mais inquietante que seja essa perspectiva, o melhor é abordá-la com os olhos abertos, reconhecer as realidades e descartar os mitos, inclusive os seguintes:

-- Trump é imprevisível.

Ele gosta de transmitir essa ideia, e ele é volúvel e nada convencional. A maioria dos presidentes eleitos não ataca uma atriz renomada nem menospreza um senador republicano. Mas quase nada do que ele fez desde 8 de novembro é de fato imprevisível, incluindo suas nomeações, seus pronunciamentos políticos (sejam como sejam) e suas explosões de fúria contra qualquer um que faça com que ele se senta desprezado. Suas políticas serão guiadas mais por instintos políticos -- o que tem servido bem a ele -- e pelo que vende, não por qualquer princípio ou ideologia. Na semana passada, ele defendeu que o governo negocie os preços dos medicamentos, um antigo sonho liberal.

-- Ele se dará por satisfeito em ser o homem de frente no Twitter e deixará a governança para os demais.

Essa é uma ideia tola. Contudo, tem gente dos negócios e até inteligentes republicanos de Washington que pintam o cenário de que o vice-presidente Michael Pence será o diretor de operações do governo; de que o presidente da Câmara dos Representantes, Paul Ryan, dirigirá a agenda doméstica, e de que o secretário de Estado, Rex Tillerson, e o secretário de Defesa, James Mattis, serão os adultos na área de segurança nacional.

Trump nunca aceitaria ser uma mera figura de fachada. E quanto a Steve Bannon, o editor de extrema direita do website Breitbart News, que tem uma enorme influência?

-- Ele pode reunir apoio público, ameaçando os adversários com sua autoridade eleitoral.

Em primeiro lugar, ele não tem nenhuma autoridade eleitoral. Ele perdeu o voto popular por mais de dois pontos, ou um pouco menos de três milhões. A última pesquisa, da Gallup, apontou que a maior parte do público reprova a transição de Trump. Ele assumirá com o índice de aprovação mais baixo entre os presidentes da era moderna.

As realidades:

-- A transparência, a verdade e os elevados princípios éticos não estarão em seu melhor momento nos anos Trump.

Este provavelmente será o mandato presidencial menos transparente desde o de Richard Nixon. Trump saiu impune com isso durante a campanha -- ele foi o primeiro presidente em 40 anos a se recusar a apresentar sua declaração fiscal. E ele continua usando a ilusória desculpa de que está sendo auditado pelo Serviço Interno de Receita. Como podemos saber se isso é verdade? E se for, ele está realmente enfrentando 10 anos de auditorias? A única maneira de que a informação que o povo deveria ter saia à luz é por meio de pedidos e ações judiciais com base na Lei de Liberdade de Informação.

Este pode ser o governo menos ético. Com a recusa do presidente eleito de vender seus interesses comerciais ou de colocar seus ativos em um fundo realmente cego, os conflitos de interesse nublarão todo o seu mandato. Ele inclusive se vangloriou por ter recusado um acordo recente de US$ 2 bilhões com Dubai. Seu genro, Jared Kushner, que será um alto assessor da Casa Branca e enfrenta suas próprias situações de conflito, se reuniu oito dias depois da eleição com um magnata chinês com conexões governamentais para discutir uma transação.

Discípulo do infame Roy Cohn, Trump, mais do que qualquer político do país que eu já conheci, não tem problema nenhum em mentir repetidamente. Na semana passada, ele negou novamente que tenha ridicularizado as deficiências físicas de um repórter do New York Times. Qualquer pessoa que veja aquele vídeo de novembro de 2015 -- com Trump agitando os braços e tirando sarro de suas deficiências -- e que tenha conversado com o repórter pode ter 100 por cento de certeza de que foi exatamente isso que ele fez. Contudo, ele continua mentindo a respeito. Não há razão para acreditar que, em assuntos substanciais, esse hábito profundamente arraigado não se manterá.

-- Ele odeia a imprensa, mas não é o primeiro presidente a sentir isso. Seus ataques e insultos pessoais e até mesmo o acesso limitado não são grandes preocupações, embora ele possa intimidar algumas emissoras de televisão.

Mas Trump é vingativo e, com os amplos poderes do Estado -- muito maiores do que na era Nixon --, será que ele terá uma lista de inimigos na imprensa aos quais tentará prejudicar? Ele já fez ameaças ao CEO da Amazon, Jeff Bezos, por ser o proprietário do Washington Post.

-- Algumas de suas nomeações, contudo, são reconfortantes. Um exemplo: Dan Coats será o novo diretor da inteligência nacional. O conservador de Indiana é um homem consciente que se demitiria em vez de concordar com atividades ilícitas contra os inimigos de Trump.

As revelações dos últimos dias a respeito de investigações sérias sobre as conexões de Trump com a Rússia poderiam prevalecer, projetando uma sombra sobre o início de seu mandato. Esta será uma viagem fascinante.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião do conselho editorial nem da Bloomberg LP e de seus proprietários.

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