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Boom de viagens à Índia espalha 'superbactérias' pelo mundo

Jason Gale e Natalie Obiko Pearson

(Bloomberg) -- Varíola, sífilis, pestes, cólera - alguns dos flagelos mais notórios do planeta expandiram muito seu alcance graças a turistas inocentes. Com um recorde de 3,77 bilhões de passageiros de avião no mundo inteiro no ano passado, novos micróbios que provocam doenças nunca cruzaram o planeta com tanta rapidez.

O caso recente em Reno, Nevada, EUA, de uma mulher que morreu por uma infecção bacteriana rara é um lembrete trágico disso. Ela contraiu uma variante de um germe chamado Klebsiella pneumoniae, provavelmente enquanto recebia tratamento na Índia por uma fratura na perna e uma infecção no quadril, disseram as autoridades sanitárias do condado de Washoe na semana passada. Testes revelaram que a bactéria era resistente a 26 antibióticos. Aliás, nenhum medicamento disponível conseguiu impedir que a bactéria envenenasse a corrente sanguínea da mulher semanas depois de ela ter sido internada no hospital em Nevada.

O caso fatal se encaixa em um padrão observado por médicos na América do Norte, na Europa e na Austrália há mais de uma década: viajantes que passam um tempo na Índia correm um risco especialmente elevado de voltar para casa com germes indesejados. Muitas vezes, os germes resistentes aos medicamentos são ingeridos através da água ou de alimentos contaminados por fezes e se alojam no intestino, onde se incorporam à flora bacteriana normal do corpo. Esses passageiros clandestinos podem ser perigosos se escaparem do intestino e penetrarem outros tecidos, como a bexiga ou a corrente sanguínea.

"Existem muitos estudos que mostram que estar na Índia expõe a pessoa ao risco dessas infecções", disse Ramanan Laxminarayan, diretor em Nova Déli do Center for Disease Dynamics, Economics & Policy em Washington.

Morte de bebês

A Índia tem um dos maiores custos de assistência médica do mundo por causa de bactérias resistentes a antibióticos. A sépsis provocada por germes que desafiam os medicamentos mata mais de 58.000 recém-nascidos na Índia, segundo Laxminarayan. O uso excessivo de remédios antimicrobianos e a falta de vasos sanitários e água potável ajuda a propagar e espalhar os micróbios mutantes pelo ambiente.

O governo indiano está tentando combater o problema. A venda direta de antibióticos ao público foi proibida em março de 2014 para impedir o uso excessivo e desnecessário. No mesmo ano, o primeiro-ministro Narendra Modi começou um programa para eliminar a defecação ao ar livre em cinco anos como parte de uma campanha nacional chamada "Índia Limpa".

O paciente sueco

A bactéria que matou a mulher em Nevada resistiu remédios da classe carbapenem e colistina. Ela estava fortificada com um gene apelidado de NDM - sigla em inglês de "metallo-beta-lactamase de Nova Déli", uma referência à cidade onde um homem sueco foi hospitalizado em 2007 com uma infecção que não podia ser detida nem com carbapenem nem com nenhum tratamento antibiótico receitado normalmente.

Hoje, o gene está em bactérias pelo mundo afora, inclusive nos EUA, fato que torna impossível determinar se a paciente de Nevada, que estava na casa dos 70, se contagiou durante sua longa visita à Índia ou não, disse Laxminarayan, do Center for Disease Dynamics, Economics & Policy. De qualquer modo, é plausível que a fonte fosse a Índia.

"A resistência ao carbapenem é alta na Índia - tanto na comunidade quanto nos hospitais", disse ele.

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